Capitão dos Bombeiros fala sobre incêndios e formas de prevenção



Entrevista publicada no dia: 22/06/2012

Nos últimos meses, os juizforanos se surpreenderam com os vários incêndios de proporções consideráveis que ocorreram principalmente no centro da cidade. Prédios destruídos, lojas que perderam todos os seus produtos e até mesmo uma vítima fatal assustaram a população em geral e principalmente quem mora em construções antigas, que, na maioria dos casos, estão mais suscetíveis a este tipo de acidente. Buscando esclarecer questões sobre o assunto, procuramos o especialista em segurança pública e capitão do 4º Batalhão de Bombeiros Militares, Marcos Santiago, para a entrevista desta edição. 

Lembramos ainda a todos os Síndicos que no próximo dia 07 de JULHO  acontece o 3º Módulo do Curso de Capacitação em Administração de Condomínios, que terá como tema “Prevenção e combate a incêndios”, e será coordenado pelo também Capitão do Corpo de Bombeiros Fransérgio Delgado e ministrado por membros da corporação. Participe, tire suas dúvidas e livre seu prédio deste problema!

O SÍNDICO: A que podemos atribuir o grande número de incêndios ocorridos em Juiz de Fora nos últimos meses? Os Bombeiros têm realizado algum tipo de conscientização e/ou intervenção junto à população para tentar evitar o problema?

CAPITÃO SANTIAGO: Na verdade, Juiz de Fora não teve um grande número de incêndios nos últimos meses, já que, observada a estatística, permanecemos na média. O que acontece é que ocorreram neste período (final  de 2011 e início de 2012) incêndios de maiores proporções e repercussões, tendo em vista que a maioria deles ocorreu no centro da cidade e, consequentemente, foram mais destacados.

O 4º Batalhão de Bombeiros Militar está sempre orientando a população, sobre a prevenção de incêndios e acidentes, através da imprensa, nas ações sociais realizadas pelo Poder Público e outras entidades, nos projetos sociais que desenvolve, como o Projeto Bombeiro Mirim e o Teatro de Bonecos Turma do Foguinho, e agora também no curso que será ministrado em parceria com o jornal “O Síndico”. Também, em ações mais pontuais, como da Operação Alerta Vermelho, que vem ocorrendo desde o mês de março/12 e que foi planejada objetivando vistoriar edificações comerciais específicas que representam maior risco e/ou maior incidência de incêndios, principalmente no centro da cidade. Ainda há o importantíssimo trabalho realizado pela Companhia de Prevenção e Vistorias do 4º BBM, que está aberta à população para o esclarecimento de quaisquer dúvidas sobre prevenção de incêndios e pânico. Só nesta última operação, foram notificadas, até hoje, 97 edificações e expedidas 18 multas, por descumprirem a legislação vigente no Estado de Minas Gerais.

O SÍNDICO: Quais são as principais causas de incêndios nos condomínios em geral? Como preveni-las?

CAPITÃO SANTIAGO: Antes de qualquer coisa, é preciso enfatizar que o incêndio só ocorre onde há falhas na prevenção. As principais causas estão ligadas ao sistema elétrico das edificações. Há de se ter um cuidado com esta distribuição de energia, sempre verificando possíveis falhas na prevenção (superaquecimento, fiações antigas, emendas improvisadas, sobrecarga nas instalações, falta de manutenção e/ou revisão, além do esquecimento de equipamentos elétricos/eletrônicos ligados desnecessariamente, como ferro de passar roupas, ventiladores, aquecedores, etc ). Também nos apartamentos deve-se ter um cuidado especial com o uso do gás liquefeito de petróleo - GLP (gás de cozinha). O vazamento do GLP pode ocasionar explosões e incêndios na edificação. Os cuidados básicos na utilização do GLP devem ser adotados. Se utilizada uma central de GLP, ela deve ser projetada e aprovada pelo Corpo de Bombeiros; todos os dispositivos de distribuição do gás (mangueiras, registros) devem ser certificados.

O SÍNDICO: Como realizar o “primeiro combate ao fogo” da maneira mais segura possível, para tentar minimizar o problema até que os Bombeiros cheguem para solucionar o acidente?

CAPITÃO SANTIAGO: O primeiro passo é acionar o Corpo de Bombeiros Militar através do telefone de emergência 193, daí, utilizar os meios de combate a incêndio existentes na edificação, como os extintores de incêndio e os hidrantes de parede. Entretanto, se a situação do incêndio oferecer risco às pessoas no combate, o melhor é abandonar a edificação preservando a vida. É preciso lembrar que a vida não tem preço e que os Bombeiros chegarão e atuarão para extinguir o incêndio e preservar os bens materiais na medida em que for possível.

O SÍNDICO: No que consiste o projeto de combate a incêndios exigido para a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros? Qual sua importância? Quais são as penalidades aplicadas aos edifícios que não possuem este auto de vistoria?

CAPITÃO SANTIAGO: O projeto de combate a incêndios é elaborado por profissional habilitado (engenheiro) e cadastrado no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). No projeto, constarão todos os dispositivos de prevenção contra incêndio e pânico da edificação. Ele será analisado por um Corpo Técnico (analistas) da Companhia de Prevenção e Vistorias do CBMMG e, estando de acordo com a legislação que disciplina a prevenção contra incêndio e pânico no Estado de Minas Gerais (Lei 14.130 de 19 de dezembro de 2001, Decreto Estadual 44.746 de 29 de fevereiro de 2008 e Instrução Técnica Operacional 02/2010), ele será aprovado para a execução. Sendo executado o projeto, o interessado requerirá a vistoria na edificação e, estando a execução de acordo com o projeto, será expedido o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que é o documento que certifica que aquela edificação encontra-se de acordo com as normas de prevenção. A edificação que não possui o AVCB poderá ser notificada, multada e até interditada por descumprir a legislação.

O SÍNDICO: O que podemos esperar da parceria entre o jornal “O Síndico” e o Corpo de Bombeiros, concretizada através do curso a ser realizado no dia 07 DE JULHO sobre prevenção e combate a incêndio?

CAPITÃO SANTIAGO: “Não há outro caminho viável ao desenvolvimento das atividades dos Bombeiros senão a sinergia, a colaboração, a parceria, a comunhão e as atitudes compartilhadas com a comunidade”.

Na verdade, o curso será um pequeno treinamento, com duração de 4 horas, divididas entre teorias e práticas voltadas à prevenção contra incêndios domésticos, métodos de extinção ou contra a propagação das chamas até o acionamento do telefone de emergências 193 e a chegada dos Bombeiros.

O treinamento ainda abordará algumas técnicas de atendimento pré-hospitalar (primeiros socorros) e evacuação das edificações, com ênfase na atuação de porteiros e outros funcionários de condomínios, utilizando ensinamentos da formação de brigadistas.

O objetivo do treinamento é reduzir a possibilidade de acidentes e, caso este aconteça, aumentar as chances de uma pessoa sobreviver e/ou diminuir as sequelas.


Fonte: Jornal O Síndico - edição 40

 

 

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