É hora de homenagear os profissionais pelo Dia do Porteiro!

28 jun | 7 minutos de leitura
José Geraldo sente-se realizado na profissão, mas acha que ela poderia ser mais valorizada pela responsabilidade que é

José Geraldo atua há 24 anos em condomínio. para ele, responsabilidade resume o serviço


Há 19 anos, a rotina de José Geraldo Leite no condomínio do Residencial Jardim Bom Pastor é cercada por responsabilidade, palavra mais frequente na entrevista que ele concedeu à revista O Síndico no seu local de trabalho, uma maneira de homenagear a categoria pelo Dia do Porteiro, celebrado em 9 de junho. A conversa não levou muito tempo, mas neste breve período foi possível perceber que os moradores dos 38 apartamentos têm confiança em seu serviço, o que é fundamental para a profissão que escolheu. Se somados cinco anos trabalhando em outro condomínio, já são 24 anos exercendo a profissão, intimamente ligada à rotina dos condomínios.

A conversa ocorreu na portaria do edifício. Ele, sentado na cadeira que ocupa diariamente. De um lado, o monitor com as imagens das câmeras de vigilância. À sua frente, telefone, interfone, controles. Apesar de já estar no final de mais um dia de trabalho, o uniforme seguia limpo e bem passado. Um carro que entra, uma encomenda para uma moradora. Faz tudo com atenção. Tanto que se orgulha de não ter tido nenhum problema maior ao longo de todo esse tempo trabalhando no Residencial Jardim Bom Pastor.

“A responsabilidade é muito grande. Na verdade, a gente fica responsável por todos os moradores do condomínio, pois tudo que passa na portaria ou no portão da garagem é responsabilidade do porteiro. É preciso ter muita atenção. Saber para quem está abrindo o portão”, explica José Geraldo. Feliz com a profissão que escolheu, sente-se realizado, mas não esconde que as coisas poderiam ser melhores: “Não tenho do que reclamar, mas a profissão poderia ser mais valorizada pela responsabilidade que é. Ter um porteiro de confiança é bom para todo mundo.”

Presencial X Remota

Assunto já abordado pela revista O Síndico, a mudança da portaria presencial pela remota, mediada por um arcabouço de novas tecnologias, é um tema caro aos porteiros. Afinal, são postos de trabalho que estão em jogo. Para José Geraldo, nada substitui a presença de um profissional. “Eu acredito que não é a mesma coisa. Apesar de muita gente falar que não muda muito em termos de segurança, eu acredito que a presença do porteiro em um condomínio é indispensável, ainda mais quando o condomínio é grande e tem muitos moradores. Aqui, por exemplo, a portaria é afastada do prédio. Acredito que seja ainda mais essencial a presença do porteiro”, avalia.

“Tudo que passa na portaria ou portão da garagem é responsabilidade do porteiro. É preciso ter muita atenção”

Quando questionado sobre quais dicas daria para os outros porteiros que ainda não têm tanta experiência na profissão, ele voltou a citar aquela palavra: “É bom trabalhar na portaria. Tem que ter muita responsabilidade, mas é bom. Ter pontualidade, ter responsabilidade, que é o mais importante, né? A gente tem responsabilidade com os moradores e, também, com os colegas de trabalho, pois temos que chegar no horário e sair no horário. Tendo responsabilidade e querendo, pode ir que é uma boa [trabalhar como porteiro]”.

Rodrigo Muniz acredita que um profissional bem treinado consegue lidar com problemas adversos e agir com soluções e antecipações

Relação de amizade

Tanto tempo trabalhando em um mesmo lugar fez com que se estabelecesse uma relação que vai além de questões profissionais, conforme relata José Geraldo: “Posso falar que é boa a minha relação com todos os moradores e principalmente com o síndico. Vi muita criança crescendo aqui no condomínio. Tem ‘criança’ aqui que já tem criança”, comenta, sorriso no rosto, continuando: “Dezenove anos é bastante tempo, né? A gente sente que a maioria dos moradores tem confiança em nós, que a gente pode falar o pensa.” Por fim, o porteiro deixou mensagem para todos os colegas de profissão. “Deixo para todas as pessoas que trabalham nesta função meus parabéns. Que Deus abençoe todos que dão segurança às pessoas.”

A importância do porteiro

Rodrigo Muniz é graduado em Gestão de Segurança Privada e pós-graduado em Gestão e Inteligência em Segurança Privada. Aos 39 anos, acumula mais de 16 anos de atuação profissional na área. Desde 2016, é instrutor na unidade de Três Rios do Curso Centurion — Formação Profissionalizante na Área de Segurança e Vigilância, contribuindo, desde então, para a formação de centenas de profissionais na área. Na visão de Muniz, a presença do porteiro é fundamental para os condomínios. “Vejo a função do porteiro físico como peça fundamental para a segurança dos condomínios, principalmente para o controle de acesso de pessoas, veículos e mercadorias.

Apesar de muitos não se atentarem para a profissão de porteiro, ela é primordial. Mas, para ter um resultado satisfatório, falta investimento em tecnologias, normas, procedimentos, treinamentos, capacitações, simulações e as autoridades agirem em cima das vulnerabilidades para melhorar os níveis de segurança”, explica o gestor de segurança.

Apesar de reconhecer a importância desse profissional, Muniz reforça a necessidade dos treinamentos. “Não adianta eu só ter uma pessoa uniformizada em um determinado local, seja em pé, sentado ou fazendo ronda. São indispensáveis o treinamento, a capacitação e o investimento contínuo no profissional de portaria. Quanto mais qualificados os porteiros estiverem, menos ocorrências haverá, pois um profissional bem capacitado, bem treinado, consegue lidar com vários problemas adversos e agir com soluções e antecipações, mitigando riscos, que podem ser materiais, financeiros e, muitas vezes, fatais.”

“Síndicos e administradoras devem observar a CCT e cobrar das empresas o seu cumprimento”

Conforme destacou José Geraldo, atenção é fundamental para a atuação do porteiro. Tal observação é reforçada por Muniz ao relatar erros que os porteiros devem evitar, como se ausentar da portaria sem a devida autorização e ficar mexendo no celular, entre outros. “Um dos grandes problemas hoje na segurança condominial é a falta de atenção do colaborador na prestação do serviço”, observa.

Realidade de respeito às CCTs

Acordo entre instituições que representam empregadores e empregados, as Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs) estabelecem regras trabalhistas das categorias profissionais. Com relação aos porteiros, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes (Sinteac), Sérgio Félix, explica que, de uma maneira geral, ocorrem duas situações, não havendo uma CCT específica para a categoria.

Sérgio Félix relata que a realidade ainda é de descumprimento da CCT

“Existe uma convenção que abrange trabalhadores de conservadoras que prestam serviços terceirizados para os condomínios e demais tomadores de serviços, representada pelo Sinteac, e uma convenção coletiva dos trabalhadores que laboram diretamente para os condomínios, representada pelo Sindedif [Sindicato dos Empregados em Edifícios, Empresas de Compra, Venda, Locação e de Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de Juiz de Fora].”

Sobre a importância do cumprimento da CCT, ele destacou que “síndicos e administradoras são tomadores de serviços e, portanto, corresponsáveis pela prestação de serviços de todos os colaboradores dentro do local de trabalho, principalmente o porteiro, que é porta de entrada do condomínio. Devem conhecer todos os direitos e deveres previstos na Convenção Coletiva de Trabalho para que sejam cumpridos na íntegra de modo a não gerar dano psicológico, financeiro, social a nenhuma das partes. O porteiro é um profissional que participa do funcionamento da engrenagem dos condomínios e, sem ele, o serviço pode travar.”

E, apesar de vivermos um momento em que as informações estão, na maioria das vezes, a um clique, Félix relata que a realidade ainda é de descumprimento da CCT. Perguntado se a convenção tem sido respeitada em Juiz de Fora, foi enfático: “Infelizmente não. Inclusive, existem empresas do ramo de asseio e conservação que desconhecem a convenção coletiva e lesam o trabalhador. Síndicos e administradoras devem observar a CCT e cobrar das empresas o seu cumprimento, para que, no futuro, não sejam penalizados pelos erros cometidos com os trabalhadores.”

FONTE: Revista O Síndico – Edição 50


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