Consultor em segurança explica como proteger o condomínio da ação de bandidos

13 jul | 5 minutos de leitura
Ações que minimizam riscos na segurança devem ser adotadas pelo síndico, condôminos, visitantes e colaboradores
Marcos Moreno

Quem pensa que violência é coisa de grandes cidades está enganado. Infelizmente, manchetes de jornais mostram o aumento de crimes como roubos e assaltos. E tais crimes atingem, inclusive, condomínios. Aqui, vale a reflexão: proteger o condomínio da ação de bandidos será tarefa fácil?

Para responder a tal pergunta (e outras também), a equipe da revista O Síndico conversou com o consultor em segurança da Nova Estratégia Consultoria de Serviços, Marcos Moreno. De São Paulo, ele esteve em Juiz de Fora no mês de abril, quando participou da 37ª edição do Encontro Nacional de Síndicos (Enasin) e 1º Encontro Regional de Síndicos e Administradoras de Condomínio da Zona da Mata mineira, proferindo palestra com o tema “Segurança condominial”. Confira a entrevista.

Durante sua palestra no 37º Enasin, você comentou que não existe condomínio seguro. Por quê?

Risco tem a ver com insegurança. Ao adotar atitudes que visam à segurança, não conseguimos eliminar o risco por completo. Não se elimina risco, consegue-se minimizar riscos. Por isso a afirmação. É preciso agir de forma preventiva, desenvolvendo a Análise Preliminar de Risco.

Mesmo condomínios que investem em tecnologia como aliada da segurança não são considerados 100% seguros?

Não são. Segurança é baseada em comportamento, e nosso comportamento não é seguro. Ao lidar com pessoas, por exemplo, é preciso pensar que, até que se prove o contrário, todos são suspeitos, e não inocentes, conforme o dito popular. Costuma-se pensar que a segurança é perfeita e ela até passa despercebida até o dia em que falha.

Qual seria, então, a saída para a segurança em condomínios?

Segurança em condomínio vai além da instalação de equipamentos tecnológicos. É preciso aliar tecnologia à preparação humana para o uso dessa tecnologia, ou seja, torna-se fundamental treinar as pessoas envolvidas. Tais treinamentos devem considerar, ainda, práticas a serem adotadas no dia a dia.

Cabe lembrar, aqui, as duas modalidades de ocorrências em condomínios: registro em unidade específica ou em várias unidades, conhecido como arrastão.

Como preparar as pessoas para que colaborem nesse processo? Existe resistência quanto à aceitação de normas?

É necessário melhorar a comunicação entre os envolvidos. A alternativa que recomendamos é o desenvolvimento de um projeto de segurança, com a implementação de sistemas de controle de acesso, mas, caso o empreendimento não tenha interesse, existe a possibilidade de se utilizar outros meios para o controle de quem acessa o condomínio, como livro de registro ou caderno de anotações, que podem trazer lista de autorizados, por exemplo. Não deve haver resistência à segurança, e é fundamental que haja colaboração de todos os moradores, visitantes, familiares, equipe de serviços etc.

Qual seria o papel do síndico?

O síndico tem um papel fundamental. É ele quem deve despertar a consciência de moradores, colaboradores e visitantes sobre a importância de se buscar a segurança. O síndico deve comunicar as normas e os procedimentos (que devem constar no regimento interno), além de estar sempre atento às novidades. Deve, ainda, definir responsabilidades, treinar funcionários, dispor de serviços especializados.

E o papel de moradores, visitantes, prestadores de serviços, colaboradores etc.?

Aos condôminos cabe colaborar sempre, participar das reuniões, agir com discrição e evitar a exposição. Ao síndico cabe a busca pela mudança de comportamento por parte de visitantes, funcionários e prestadores de serviços, o que pode ser alcançado por meio de treinamentos, capacitação constante.

Um exemplo do que é usualmente feito, mas não é indicado, é segurar a porta para outra pessoa ao entrar em um condomínio. É uma atitude solícita, mas nem sempre se sabe quem está entrando junto com você. Já uma conduta que precisa ser adotada é a lista de convidados em casos de festas. Tal prática permite o controle de quem acessa o condomínio, só entrando, portanto, pessoas autorizadas.

Como os meios eletrônicos devem ser usados a fim de que sejam aliados?

É importante que haja cautela por parte de quem utiliza meios eletrônicos. Um exemplo são os radiocomunicadores. É preciso cuidado com a frequência aberta, que permite que a exposição do que é dito e ouvido. Outro ponto é chamar o interlocutor por um codinome, nunca pelo nome de verdade.

As redes sociais são muito utilizadas nos dias atuais. Elas podem auxiliar ou atrapalhar a segurança condominial?

As redes sociais não devem ser usadas como meio de publicar vida pessoal. Divulgar locais que frequenta, fotos que expõem artigos como joias, celulares etc representa um risco. Exposição na internet é sempre perigoso. Sites de busca possibilitam “entregar” dados que podem, por sua vez, auxiliar a ação de bandidos. Além disso, é preciso ter cuidado com a exposição de informações pessoais por outros meios, conforme ocorre com o uso de pingentes que indicam número de filhos e sexo das crianças, e o uso de adesivo em carros, onde aparecem os integrantes da família.

Quais são os pontos ou as oportunidades que despertam a atenção de bandidos?

As ações de criminosos estão baseadas em pontos como atratividade e vulnerabilidade. Eles agem conforme a oportunidade.

Existe alguma estatística que apresenta número de acessos a condomínios, ou seja, como ocorrem tais acessos pelos bandidos?

Sim. Dados nos revelam que apenas 3% das invasões a condomínios acontecem por muros e grades. Assim, 97% das invasões ocorrem por acesso de pedestre ou veículos.

Pensando na atuação de bandidos, é possível traçar um perfil daqueles que agem em condomínios?

Podemos identificar o bandido eventual, que tem personalidade impulsiva, não planeja a ação, mostra-se nervoso e com medo da vítima, além de não aceitar resposta negativa. Geralmente o bandido eventual está sob efeito de alguma droga. Temos também o bandido profissional, que programa a ação, traça o perfil do condomínio tempos antes da ação, tem noção exata do que quer, está preparado para o caso de o assalto se prolongar, tem autocontrole e, no caso de algo dar errado durante a ação, agride a vítima.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 27


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