Concorrência predatória ameaça administradoras de condomínios

24 jul | 7 minutos de leitura
Empresas que baixam cada vez mais seus preços prejudicam atuação profissional

É perceptível o aumento na quantidade de condomínios construídos em Juiz de Fora na última década, seja pela falta de espaço na cidade, busca por conforto ou a necessidade de mais segurança. Por outro lado, a complexidade para administrá-los também cresceu. Isso porque é necessário estar atento às mudanças nas legislações, cumprir com as obrigações legais e gerir receitas muitas vezes maiores do que a de um pequeno município. E todas essas tarefas exigem uma empresa qualificada e com equipes capacitadas para executar o serviço de administração.

No entanto, a realidade presente em Juiz de Fora e de constante reclamação de muitos proprietários de administradoras de condomínios é de uma concorrência predatória por parte de algumas empresas já consolidadas e, principalmente, por aquelas que estão começando no mercado e não têm nem mesmo uma estrutura adequada. Elas estão focadas mais no preço baixo para atrair clientes do que prestar um serviço satisfatório. Isso demonstra uma falta de ética por parte de alguns empresários do setor e que desvaloriza o trabalho dos profissionais.

Esses assuntos foram debatidos durante uma live, que reuniu as administradoras de condomínios de Juiz de Fora e região. Elas tiveram a oportunidade de se apresentar e compartilhar as suas experiências. Confira o relato dos proprietários e como é possível valorizar o trabalho das administradoras.

Ângela Galhardo de Freitas: “O momento exige união da classe em vez de um querer tomar o espaço do outro”

A proprietária da Teccon, Ângela Galhardo de Freitas, relata a questão da concorrência desleal. “Acontece conosco de representantes da administradora entrarem em contato com os síndicos de condomínios geridos pela nossa empresa para oferecer o serviço por um valor mais barato. Tentam participar também de assembleias on-line. Isso é um total desrespeito e desvalorização do nosso trabalho. É importante reforçar que a responsabilidade e complexidade na gestão são grandes. O momento exige união da classe em vez de um querer tomar o espaço do outro”.

Já o supervisor geral da Contato, Apoliano Lopes, diz que não é possível pensar em administração de condomínios de forma amadora. “É preciso uma empresa com profissionais capacitados. Temos uma estrutura grande para prestar todo suporte ao cliente, acompanhar as mudanças nas legislações, decretos e normas.

“Os síndicos também têm o seu papel no combate a essa guerra de preços”

Apoliano Lopes: “O preço não deve ser o principal requisito na hora de escolher a empresa administradora”

Isso tem um custo elevado e em Juiz de Fora, se você cobrar um valor à altura, acaba perdendo o cliente para outra empresa com preço mais barato e na maioria das vezes sem qualidade”.

Ele salienta ainda que, durante a pandemia, percebeu o surgimento de muitas administradoras oferecendo o serviço com um valor muito aquém do que deveria ser cobrado. “É importante que os síndicos entendam o trabalho e a importância de uma administradora para que saibam que o preço baixo não deve ser o principal requisito na hora de escolher a empresa que fará a gestão do condomínio junto ao síndico. A qualidade, eficiência, experiência no mercado devem ser levadas em consideração”.

Para Silayne Viccini, proprietária da Lázuli, essas pequenas empresas que estão começando agora possuem um custo mais baixo, porque muitas vezes não têm a qualificação necessária.

“Entendo que a concorrência deve existir e o mercado tem espaço para todos. No entanto, a ética para competir deve ser respeitada. Quando o síndico contrata uma empresa sem experiência, por um pequeno valor, pode estar até colocando em risco o patrimônio de todos”.

Silayne Viccini: “A ética para competir deve ser respeitada”

Diante desse cenário, cabe fazer uma discussão urgente de como valorizar o trabalho das administradoras de condomínios, promover a qualidade nos serviços prestados e apontar caminhos para que o empresário possa crescer de forma ética. Os síndicos também têm o seu papel no combate a essa guerra de preços.

“Há mercado para todos, mas é importante ter clareza nos serviços que serão prestados pelo preço informado para que o síndico faça a escolha da empresa de forma consciente. Muitos também não têm conhecimento de como funciona a administração de um condomínio e a complexidade do trabalho. Acham que é só fazer a emissão de boletos. É preciso saber se valorizar e transmitir isso aos seus clientes para que eles percebam a sua relevância.”, afirma Rosely Schwartz, administradora e coordenadora do Grupo de Excelência em Administração de Condomínios ligado ao Conselho Regional de Administração de São Paulo.

Como valorizar o trabalho das administradoras de condomínios?

Rosely explica que ética e transparência precisam estar enraizadas nas ações, afinal, a administradora tem uma grande responsabilidade na gestão. “É necessário prestação de contas aos clientes, com clareza e fácil entendimento das informações contidas no relatório demonstrativo financeiro. Também é exigido um conhecimento diverso sobre questões tributárias, legislações, sejam federais, estaduais ou municipais, Código Civil, demandas trabalhistas, normas do Corpo de Bombeiros e as NBRs. É imprescindível que a empresa tenha uma parceria afinada com o síndico”.

Ainda de acordo com ela, se destacam aquelas que possuem atendimento rápido, entregam atas dentro do prazo, demonstrativos mais claros, orçamentos confiáveis. “Tudo isso precisa de um bom profissional preparado para executar esse trabalho. É necessário gostar de ter contato com as pessoas e adorar desafios, pois cada dia é um aprendizado diferente”.

Rosely Schwartz: “É preciso saber se valorizar e transmitir isso aos clientes para que percebam a sua relevância”

É ainda importante que a administradora tenha registro no Conselho Regional de Administração. “Isso é um diferencial no mercado condominial e garante a apresentação de um profissional para atuar como Responsável Técnico, que desempenhará suas atividades de gestão baseado numa ciência com métodos e técnicas específicas para garantir a plena efetivação dos serviços prestados”, destaca Jehu Pinto de Aguilar Filho, presidente do CRA-MG.

Rosely orienta que, durante as assembleias, agora realizadas de forma virtual por conta da pandemia, que ocorre uma boa oportunidade de a administradora mostrar o diferencial do seu trabalho para o cliente. “Explicar os benefícios da empresa, os serviços prestados, conhecimentos necessários para gerir o condomínio, entre outros. Ser organizado conta pontos, assim como preparar uma boa apresentação de slides. Eu recomendo enviar anexos junto à convocação para assembleia, como resumo de orçamentos e pesquisa de prioridades. Quando puder ser presencial novamente, use equipamentos de áudio e vídeo de qualidade”, conclui.

“É importante que a administradora tenha registro no Conselho Regional de Administração”

Live reúne administradoras de condomínios de Juiz de Fora e região

Com a finalidade de debater sobre os rumos do mercado, valorização do segmento, assim como a melhora na qualidade dos serviços prestados, Juiz de Fora promoveu o 1º Encontro de Administradoras de Condomínios. Com duração de três horas, o evento foi uma realização do SíndicoJF Mídias Digitais, com apoio do Sebrae e patrocínio da BV Garantia e Alfa Minas Conservação.

O encontro virtual e inédito, apresentado pela jornalista e editora da revista O Síndico, Andrea Castilho, e direcionado a sócios, proprietários e representantes de administradoras de condomínios prioritariamente de Juiz de Fora e região, teve como tema “Inovação e Valorização das Administradoras de Condomínios” e contou com palestra da professora Rosely Benevides e apresentações do CRA-MG, Sebrae e da BV Garantia. Ao final, as administradoras tiveram a oportunidade de se apresentar e compartilhar suas experiências. O conteúdo está disponível no Instagram @sindico.jf e também no canal no YouTube Síndico JF.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 45


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