O Síndico e o Fio da Navalha: Entre o Risco e a Prudência

17 abr | 2 minutos de leitura

ESCRITO POR: Sergio Paulo da Silva

Sócio da Indep Auditores Independentes, perito contábil, auditor contábil CNAI e membro da Comissão de Contabilidade Condominial do CRC/RJ

foto de perfil do Editor Sérgio Paulo da Silva | Síndico JF

Em tempos de manchetes trágicas, síndicos que ignoram a prudência acabam se tornando protagonistas de desastres que poderiam ter sido evitados. Recentemente, o noticiário tem destacado casos de acidentes fatais em áreas comuns de condomínios, causados por obras irregulares, manutenção precária e omissões que colocam vidas em risco. Há também relatos de violência, onde moradores, frustrados com a falta de transparência na gestão, partiram para agressões verbais e até físicas contra síndicos. O que todas essas tragédias têm em comum? A negligência.

O Código Civil Brasileiro, em seus artigos 1.331 a 1.358, deixa claro que o síndico é responsável pela administração do condomínio, incluindo a obrigação de zelar pela segurança, realizar manutenções preventivas e prestar contas de forma regular. No entanto, muitos gestores, pressionados pela necessidade de cortar custos ou pela falta de recursos, acabam optando pelo caminho mais arriscado: contratam serviços sem a devida qualificação, adiam inspeções essenciais e ignoram a importância de comunicar decisões que afetam a todos.

Aqui entra um dilema comum: a busca por fazer sempre mais barato. Em um cenário onde manter um condomínio é caro, é tentador priorizar o custo mais baixo em detrimento da qualidade. Mas essa escolha pode sair muito cara no longo prazo. Um serviço mal executado, um material de baixa qualidade ou uma manutenção adiada podem resultar em acidentes, multas e até processos judiciais. 

O síndico prudente, por outro lado, é aquele que entende que sua função vai muito além da simplista visão de redução de custos. Ele é, acima de tudo, um guardião do bem-estar coletivo. Ele sabe que a transparência é a chave para evitar conflitos e que a manutenção adequada não é um gasto desnecessário, mas um investimento na segurança e na qualidade de vida de todos. Ele resiste à pressão de cortar custos a qualquer custo e busca equilibrar as contas sem comprometer a integridade do condomínio.

A diferença entre um síndico que se arrisca e um síndico prudente é a linha que divide a irresponsabilidade e a boa gestão. Enquanto o primeiro pode colocar vidas em risco e gerar prejuízos incalculáveis.

No fim das contas, a verdadeira liderança está em saber que, mesmo diante das pressões por redução de custos, a prudência e a qualidade nunca devem ser negociadas. Afinal, o que está em jogo não são apenas os números frios em um balanço, mas a transparência da necessidade desses custos e principalmente a vida e o bem-estar de pessoas.

Fonte: revista O Síndico Edição 59


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