Cuidados e desafios em condomínios em tempo de pandemia

21 jan | 6 minutos de leitura
Lidar com a doença, que obriga a adoção de medidas de higiene e de segurança nos condomínios, tem sido um desafio para síndicos e administradoras de condomínios
Omar Cordeiro Ulhôa

A pandemia de coronavírus, que teve início em março do ano passado, continua e o que se percebe em Juiz de Fora, no estado e em diversas regiões do país, é o aumento do número de casos, assim como o crescimento do número de mortes causadas pela Covid-19. Para falar sobre a situação e sobre como lidar com esses desafios nos condomínios, entrevistamos o economista, fundador e sócio da Contato Administração de Condomínios, Omar Cordeiro Ulhôa.

Estamos vivendo um período em que é constatado o aumento do número de casos da Covid-19 em Juiz de Fora, assim como o número de mortes. Como gestor, como você vem encarando esta situação?

É uma situação complicada, fora de qualquer previsão de parâmetros pré-estabelecidos. Como gestor, busco conscientizar os funcionários da Contato para que estendam as orientações recebidas aos nossos clientes, bem como enviando campanhas educativas e informativas por e-mail e impressas para os quadros de avisos, na busca de orientar também os moradores a seguirem e repassarem aos seus familiares todos os cuidados e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), como forma de inibir a disseminação do vírus e diminuir o número de casos.

Como lidar com a situação de condôminos que testam positivo? 

A situação já é delicada e o principal é não entrar em desespero. O correto é que os condôminos infectados sigam as recomendações médicas, fazendo os exames para averiguar o grau de cada caso. Em um primeiro momento, o síndico deve confirmar a informação e verificar se o morador possui uma forma de ficar em isolamento domiciliar, preferencialmente com um banheiro com uso exclusivo, sem contato com outros moradores da mesma unidade e, principalmente, isolado dos demais condôminos e funcionários do condomínio. Depois, é de extrema importância que o infectado siga todas as orientações passadas pelos médicos, como manter uma boa alimentação e se manter hidratado. Em casos graves, deverá procurar, com urgência, o hospital, e seguir recomendações.  Os síndicos devem reforçar a desinfecção nas áreas comuns e, principalmente, discrição e tato com a situação devem ser as palavras-chave, a fim de evitar pânico no condomínio e até mesmo situação de preconceito ou discriminação.

Como as assembleias estão sendo realizadas, visto que a lei 14.010, que permitiu a realização em ambiente virtual, vigorou até 31 de outubro? 

No início da pandemia, fizemos uso do aplicativo da Contato para a realização das assembleias, em conjunto com os aplicativos Google Meet, Microsoft Teams e Zoom. Atualmente, estamos fazendo as assembleias presenciais, tendo em vista que há um entendimento jurídico de que mesmo que a pandemia não tenha terminado, a vigência da lei se esgotou, motivando a realização de assembleias presenciais. Para tanto, respeitamos o distanciamento entre cada morador, o uso obrigatório de máscaras, álcool em gel e contamos com o apoio do síndico para a higienização temporária para as reuniões.

O que fazer em casos em que a ata que está no banco está vencida e as assembleias não vêm sendo realizadas devido ao distanciamento social? 

Por agora, em virtude da obrigatoriedade da realização de assembleias, já antecipamos aos presentes que elas seja bem rápidas, com uso de máscara obrigatório e que assuntos que não sejam urgentes e demandem uma atenção maior, possam ser discutidos em outras oportunidades. A rigor, para atender às necessidades bancárias, prestação de contas e eleição de síndico são itens mais céleres de resolver na grande maioria dos condomínios.

Diante das medidas de higiene em função da pandemia, os moradores podem deixar calçados do lado de fora dos apartamentos (no corredor, que é área comum)? 

Esta é uma preocupação muito comum nos condomínios. Os noticiários mostraram pessoas deixando sapatos e roupas do lado de fora de suas residências, mas esqueceram que, em condomínio, a situação é diferente. Os moradores não podem deixar nos corredores seus sapatos ou roupas, mesmo que em caixas, pois são áreas comuns e precisam ser higienizadas também pelos faxineiros, o que acaba atrapalhando.

Quais são os cuidados mais importantes com o uso dos elevadores?

Sempre utilizar máscara ao sair de casa, procurar sempre utilizar o elevador com o menor fluxo de pessoas, evitando aglomeração, utilizar álcool gel quando entrar e sair do elevador, utilizar um lenço ou objeto para tocar os botões e evitar aproximar as mãos do rosto. Quanto aos condomínios,  ter a limpeza frequente dos elevadores por pessoas que não façam parte do grupo de risco e  utilizar materiais adequados para limpeza. Devemos deixar registrado também que os painéis dos elevadores são equipamentos sensíveis e o excesso de limpeza com material inadequado pode vir a queimá-lo.

Com a pandemia, houve um aumento considerável de pedidos de delivery e compras pela internet. Como estão sendo recebidas as entregas? Entregadores podem acessar o interior dos condomínios? 

Os entregadores devem esperar no hall do condomínio, após informar sua chegada, e os moradores devem ir até eles para receber os pedidos. Exceções somente para casos em que a encomenda seja muito grande ou dependa de mais de um entregador, o que deve ser comunicado ao síndico. Um exemplo é a entrega de móveis. Deve-se evitar o fluxo desnecessário de entregadores nas áreas comuns do condomínio.

Alguns síndicos relatam que o período de pandemia tem sido usado para a realização de obras em unidades, assim como em áreas comuns. Como lidar com isso? Qual a recomendação nestes casos?

A recomendação para a realização das obras é evitar ao máximo, dando preferência a obras de necessidade ou urgência. Porém, permaneceram liberadas as realizações, contanto que todos os prestadores de serviços utilizem máscara em tempo integral e sigam as recomendações quanto ao uso de álcool gel e distanciamento em horários de almoço e descanso.

Como vem sendo tratada a questão do lixo? O descarte é feito de forma igual ou existe separação do lixo proveniente de unidades de moradores que testaram positivo?

Orientamos os síndicos e moradores para que, em caso positivo para Covid, façam um reforço na embalagem de saco de lixo. Algumas situações de identificação do saco de lixo poderiam vir a causar casos de discriminação e preconceito e, o melhor neste caso, seria colocar o lixo em sacos duplos.

No caso de um colaborador do condomínio ser infectado pelo novo coronavírus, o que fazer?

Solicitar imediatamente a higienização/limpeza dos locais em que o colaborador teve contato, alertando aos demais colaboradores. Depois, verificar se o colaborador em questão teve contato com algum outro colaborador e, caso tenha, solicitar o exame de Covid-19 para os demais e seguir os procedimentos anteriormente citados, a fim de manter todos os colaboradores protegidos.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 42


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