Furtos acendem sinal de alerta nos condomínios de Juiz de Fora

15 jul | 4 minutos de leitura
Foram dois casos recentes em que duplas de mulheres passaram sem maiores problemas por porteiros. Em um deles, prejuízo passou de R$ 1 milhão
Eduardo de Azevedo Moura

Dois recentes furtos em apartamentos de Juiz de Fora acenderam o sinal de alerta nos condomínios da cidade. Em um deles, foram levados mais de R$ 1 milhão em joias e objetos. No outro, o prejuízo pode chegar a R$ 40 mil em joias e dinheiro. Os dois casos guardam semelhanças. A principal delas é que os crimes foram cometidos por duplas de mulheres. O delegado titular da 1ª Delegacia Distrital, Eduardo de Azevedo Moura, segue com as investigações. Segundo Moura, é possível que uma quadrilha de outra cidade possa estar agindo em Juiz de Fora. Em entrevista à revista “O Síndico”, o delegado revela como é a ação das ladras e dá importantes dicas para evitar novos casos de furtos a apartamentos.

Como ocorreram esses dois crimes?

Ambos foram praticados por duplas de mulheres, que não são conhecidas na região. Nos dois existiam porteiros nos condomínios e as mulheres estavam bem vestidas, não demonstrando as suas intenções. Em um dos casos, elas passaram, conversaram com o porteiro dizendo aonde iam e foram em direção ao apartamento. No outro, não houve sequer a interpelação das autoras. As investigações estão em andamento até mesmo fora do estado no sentido de identificá-las. Foram feitas muitas diligências e mesmo assim não se chegou às suas identificações, embora as imagens das mesmas tenham sido disponibilizadas à imprensa e nas redes sociais.

Esses crimes levantam questões sobre a qualidade da segurança dos condomínios verticais. Quais as orientações que o senhor dá aos síndicos no sentido de evitarem esse tipo de situação?

Aos síndicos, que eles orientem muito bem os seus porteiros. É um sentimento natural ficar intimidado por pessoas bem vestidas ou que demonstrem ser amigas de algum morador, fato principalmente ocorrido em prédios de luxo e alto luxo. A orientação para os porteiros é que eles não se sintam inibidos de promoverem a abordagem e o questionamento do visitante. Devem agir sempre de forma cortês e agradável, mas de preferência checando com o morador se a visita realmente é aguardada. Aos moradores, que não abram os portões eletrônicos ou permitam o acesso ao prédio sem conferir se o visitante é realmente quem diz ser ou que reconheça sem equívoco a voz do interlocutor, evitando também que crianças tenham acesso a esse dispositivo sem o devido acompanhamento. É importante não exibir detalhes de suas rotinas, preparando inclusive os empregados.

Qual a importância de se ter no condomínio porteiros bem treinados e atentos a possíveis suspeitos?

No caso dos condomínios com porteiros físicos, é fundamental que ele esteja bem treinado, que conheça os moradores e seus hábitos, o funcionamento do condomínio e que tenha em mente que ele é o primeiro contato entre a rua e o interior do prédio, mantendo ainda estreita ligação com o síndico ou responsável.

Juiz de Fora cada vez mais vai crescendo em direção aos bairros da cidade. Com isso, alguns condomínios acabam ficando localizados em ruas escuras e desertas a partir de determinado horário. Quais as orientações para evitar problemas com a segurança?

Primeiramente, em relação aos moradores, que desconfiem de qualquer anormalidade na rua, como pessoas paradas e veículos com desconhecidos em seu interior. Com relação à insuficiência de iluminação, o condomínio poderá recorrer junto a Prefeitura e a concessionária a sua melhora. Também é comum em Juiz de Fora a necessidade de poda de árvore. Se algum morador sentir-se com receio de chegar em casa ou estiver nessas situações descritas, pode fazer contato com alguém no interior do prédio ou com algum familiar para acompanhá-lo. Essa movimentação é um fator inibidor da atitude do criminoso, que na maioria dos casos é oportunista. Vai agir no momento certo com o mínimo de risco.

Qual o papel que os vizinhos têm no sentido de se conseguir maior segurança?

É importante salientar que o melhor meio de proteção é a própria comunidade. As rotinas tendem a ser conhecidas e fatos que as alteram são perceptíveis. Em caso de viagens prolongadas ou feriados, é importante avisar algum vizinho de confiança para ele verificar qualquer anormalidade.

Qual a importância da vigilância eletrônica? A presença de câmeras realmente inibe a ação dos ladrões?

Hoje em dia a vigilância eletrônica é uma realidade incontestável, seja em ambientes particulares, áreas comuns ou mesmo públicas. Auxilia muito na questão da segurança, porque além de inibirem eventuais intenções criminosas, permitem que, em caso dessas ocorrências, elas possam ser apuradas. Mas para isso é preciso que o equipamento seja de boa qualidade. Existem no mercado equipamentos de baixa qualidade e que não atendem às necessidades ora por não apresentarem boa resolução, ora porque os sistemas de gravação são falhos. Muitas investigações são frustradas porque quando as imagens são analisadas, não permitem nem mesmo que os autores sejam identificados.

Existe alguma região da cidade onde é mais comum o furto em condomínios verticais?

Não existe região específica, geralmente ocorrendo onde há uma aglomeração vertical natural, com maior densidade habitacional.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 09


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