Gerador de energia: ter ou não ter?

29 mar | 6 minutos de leitura
Equipamento garante conforto, mas relação custo-benefício precisa ser analisada

Juiz de Fora e outras cidades da região ficaram às escuras no dia 25 de fevereiro após um raio atingir uma subestação da Cemig durante uma tempestade. Ao todo, estima-se que cerca de 700 mil pessoas ficaram sem energia. Situações como a vivida recentemente podem levar síndicos e condôminos a analisarem a possibilidade de adquirir ou locar um gerador. Todavia, essa decisão deve ser tomada de maneira muito criteriosa, analisando vários detalhes. Os benefícios são vários, mas é preciso avaliá-los diante da real necessidade do investimento. Foi o que afirmou, em entrevista à equipe da revista O Síndico, o diretor da BeltLoc Geradores e Compressores, Diego Longhi.

Quais as vantagens de ter um gerador no condomínio? 

Hoje, a vantagem de ter um gerador se deve ao fato de ele resguardar a falta de energia que porventura aconteça por parte da concessionária, no caso de Juiz de Fora, a Cemig. Tendo um gerador, na falta da Cemig ele é acionado e restabelece a energia. Assim, o que é atendido pelo gerador volta a funcionar normalmente. Em algumas situações, o gerador é colocado para alimentar apenas elevador e bomba de incêndio. Em outras situações, e isso vai de acordo com a necessidade de cada condomínio, é dimensionado para atender tudo, incluindo a parte geral de áreas comuns. É personalíssimo. Cada condomínio, de acordo com os valores, aponta uma demanda.

Pelo que você expôs, o equipamento varia de acordo com a necessidade do condomínio. Mas por quanto tempo o gerador pode ser usado continuamente no caso de um apagão maior? 

O tempo de atuação do gerador está relacionado com o tanque de combustível dele, que é o que define a autonomia do equipamento. Tem máquinas que rodam por oito horas, 12 horas e 24 horas. Tudo varia de acordo com o abastecimento. Se for um equipamento de maior porte, terá tanque maior e, consequentemente, maior autonomia.

E o que levar em consideração para escolher o melhor gerador para o condomínio? 

A escolha também e personalíssima. Cada instalação depende de uma visita técnica para análise da necessidade, do formato de instalação, das áreas comuns, do local de instalação… Em 99% dos casos, o ideal é fazer essa visita técnica para ver qual equipamento vai atender melhor de acordo com a necessidade do cliente.

Comprar ou alugar? Como o condomínio deve avaliar isso? 

Varia muito. Fazendo a aquisição do equipamento, o condomínio estará adquirindo um patrimônio. A partir do momento da compra, é necessário ter a manutenção e todos os custos inerentes ao equipamento. Quando se opta pela locação, não há necessidade de investir um capital maior e todo o processo conta com manutenção preventiva, manutenção corretiva e troca de equipamento, caso seja necessário, por conta do locador. Isso é algo que tem que ser avaliado. Hoje, nos Estados Unidos, o que mais se faz é o rental. O setor de locação é o que mais cresce, já que ninguém quer assumir a responsabilidade por não contar com técnicos preparados, especializados para manutenção. Quando você loca, não tem essa preocupação.

A escolha do local onde o equipamento será instalado também merece uma atenção especial? 

Tradicionalmente, o equipamento é um grupo motor gerador, a diesel, que toca um alternador. Energia mecânica. A partir do momento em que o gerador é acionado, ele emite poluente. Então é necessário definir por onde vão sair os gases, é necessário fazer a troca de ar para resfriar o equipamento, já que um motor confinado tem aquecimento. Tem que avaliar a logística para instalação, pois na maioria das vezes é necessário o uso de empilhadeiras ou caminhão munck, e também a questão de cabeamento, que envolve custos para essa instalação. Fazendo uma análise no local, a gente consegue definir a situação que fica com melhor custo-benefício para o condomínio.

Os gases emitidos são prejudiciais à saúde? 

É gás carbônico, o mesmo que sai do escapamento de um caminhão. O motor é idêntico. Só mudam algumas peculiaridades com relação ao regime de rotação, por exemplo. É só você imaginar um caminhão em funcionamento próximo ao local onde ficará o gerador. Por isso que o espaço deve ser muito bem analisado para ver a possibilidade de uma extensão do escapamento a fim de que os gases não sejam levados à área comum do prédio.

Quais os principais cuidados devem ser tomados na hora de adquirir ou locar um gerador para o condomínio? 

Sempre ter um fornecedor com bom know-how. Não adianta ir somente pelo preço, pois nem sempre ele é garantia de funcionabilidade. Além disso, é importante que o fornecedor tenha feito serviços em outros locais para que você conheça o trabalho e tenha a garantia de eficiência no caso de falta de energia.

Como deve ser feita a manutenção e o abastecimento do equipamento? 

Em relação à manutenção, como são equipamentos que vão ficar de stand-by, ou seja, funcionam somente na emergência, a manutenção é feita geralmente de seis em seis meses, com troca de todos os filtros, de combustível e de ar, troca do óleo lubrificante, conferência geral com reaperto, de aditivos, bateria… O abastecimento é feito sempre com diesel comum, o mais indicado atualmente para trabalhar com motores estacionários, caso dos geradores, pois tem menos enxofre. Além disso, estar sempre fazendo a troca do diesel para que ele não perca o ponto de explosão.

Esse tipo de equipamento tem que funcionar na hora de necessidade. É comum acontecer de o equipamento não funcionar na hora que o condomínio mais precisa? 

Temos vários clientes em que isso, às vezes, acontece. São geradores próprios que acabam não funcionando. Ligam-nos informando que o gerador deles não está funcionando e pedindo para levarmos um nosso. E não são poucos os casos, principalmente por falta de uma atenção com a manutenção.

Por fim, qual a sua orientação final para os síndicos e condôminos em relação aos geradores? 

O que tem que ser avaliado é o custo-benefício. Colocar na ponta do lápis quantas vezes acontecem esses apagões e se é uma área que tem mais frequência ou não. Esse que teve recentemente é um caso isolado. Tem gente que vai querer empurrar o equipamento sabendo que determinado prédio não tem necessidade. Em bairros centrais, como o São Mateus, caso uma árvore caia sobre a fiação ou um carro bata em um poste, rapidamente a Cemig consegue resolver a situação. Vários condomínios têm geradores, principalmente os mais altos, que têm muito elevadores. Mas acho que tudo deve ser muito bem analisado.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 31


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