Síndico profissional: os ônus e bônus de quem atua na função profissionalmente

11 jul | 5 minutos de leitura
Conheça o dia a dia de um Síndico Profissional
Pedro Bara

Os Síndicos voluntários, moradores do condomínio, estão ficando raros. Infelizmente, a vida cada vez mais cheia de compromissos nos faz querer abdicar de mais essa obrigação – e responsabilidade – ao invés de abraçá-la: mesmo com vontade de ajudar, o tempo escasso e os compromissos com o trabalho e com a família acabam por impedir muitos de nós de estarmos disponíveis para a função. Mas como ficam os condomínios nessa nova realidade? Quem pode suprir essa demanda tão importante nos edifícios e associações? Os Síndicos profissionais, claro! Na função desde 2011, Pedro Bara conversou conosco sobre esta que virou sua nova profissão, relatando os ônus e bônus do seu dia a dia.

Há quanto tempo atua como Síndico profissional e qual a sua formação?

Profissionalmente desde 2011. Sou formado técnico em eletromecânica, cursei três anos de engenharia elétrica, mas mudei para administração, me formei e fiz um MBA em administração e finanças.

O que o levou a esta carreira?

Na maioria dos casos, e o meu não é exceção, começamos amadores no condomínio em que moramos e, ao desenvolvermos um bom trabalho, surgem convites para assumir outros condomínios. Por eu ter formação na área de administração e me considerar uma pessoa organizada, foi bem tranquilo entrar nesse segmento como profissional.

Atualmente, você trabalha para quantos condomínios?

Em 2011, resolvi começar a atuar como pessoa jurídica. Fiz uma alteração na minha empresa, incluindo esta atividade. Trabalho como prestador de serviço com emissão de Nota Fiscal e sem qualquer encargo a mais para o condomínio. Desta forma, trabalho com 11 condomínios.

Como era sua estrutura inicial e como ela é atualmente?

No início atuava sozinho, à medida que fui assumindo mais condomínios contratei um funcionário e agora estou estudando a possibilidade de contratar mais um. Além disto, tenho um bom conhecimento de vários profissionais e empresas que atuam no mercado de forma idônea e com bom custo. Hoje também disponibilizo um número de celular e e-mail somente para atender aos condomínios.

Qual é sua relação com as administradoras de condomínios?

As administradoras são fundamentais na vida de um condomínio, pois dão suporte ao Síndico e aos conselheiros tanto na parte jurídica quanto na burocrática. Hoje tenho condomínios em cinco administradoras diferentes e a relação com todas é a melhor possível.

Como você se organiza para atender aos diversos condomínios?

Nos meus contratos, me comprometo a fazer duas ou três visitas semanais ao condomínio através de rotas flexíveis e ainda, na necessidade de uma atenção maior, vou ao condomínio quantas vezes forem necessárias.

Como é a remuneração? Está satisfeito?

Ela varia de acordo com as características de cada condomínio, como o número de unidades, tipo de portaria, se tem elevadores, se tem área de lazer etc. Respeitando-se essas variáveis, consegue-se uma remuneração adequada e dentro das possibilidades do condomínio.

Quais foram os maiores desafios que enfrentou?

Certamente os maiores desafios surgem ao lidar com as pessoas, pois a diversidade é enorme, o que às vezes gera conflito. Para lidar com isso, temos que ter muita paciência e bom senso, mas sem deixar de se fazer cumprir a convenção e regulamento de cada condomínio.

O que o condomínio deve avaliar antes de contratar um Síndico profissional?

A contratação de qualquer profissional requer critério: é de suma importância conhecer onde atua ou já atuou, como foi desenvolvido o seu trabalho, procurar se informar sobre as características do profissional, como honestidade, objetividade, conhecimento da profissão etc.

O que mais gosta e o que menos gosta neste trabalho?

Como qualquer profissional que faz o que gosta, é gratificante encontrarmos certas situações e conseguirmos boas soluções para o condomínio, como economia ou eliminação de conflitos. O que às vezes nos frustra é, apesar de esforços, não conseguirmos soluções dentro de uma boa conversa, acabando por vezes recorrendo às vias judiciais.

Na sua opinião, quais as vantagens e desvantagens de um condomínio ser gerido por um Síndico profissional?

Para o condomínio, existe a vantagem de estar sendo administrado por um profissional da área: este normalmente já conhece bons prestadores de serviços nos quesitos que o condomínio necessita, evitando que o prédio tenha um profissional ruim reparando suas instalações, gerando gasto desnecessário e, às vezes, depredando o patrimônio. Não vejo desvantagem, vejo um jeito diferente de lidar com a situação de ter alguém de fora da comunidade para gerenciar as coisas do condomínio. Isto requer um estreito canal de comunicação, que se contar com a cooperação dos moradores e um Síndico atuante, pode funcionar até melhor do que ter um morador Síndico.

Quais são as características e habilidades requeridas para o exercício da função?

Como já citei, além do conhecimento técnico, o bom profissional deve ter ainda paciência, boa capacidade de ouvir, saber conversar com educação, sem fugir das obrigações do cargo e das normas que regem a vida num condomínio, além de ter como visão constante a melhor relação custo/benefício para o condomínio.

Como você avalia o mercado local e regional? Acha que está crescendo?

Existe uma tendência ao Síndico profissional, pois na vida moderna sobra pouco tempo para o lazer e a família, então poucas pessoas se habilitam a assumir mais essa responsabilidade no seu dia a dia.

Qual conselho você daria a novos interessados na profissão?

Primeiro, se informar bastante sobre as obrigações, responsabilidades e deveres do Síndico, que não são poucos. Deve-se também conhecer bem a legislação pertinente aos condomínios, além de procurar conhecer o mínimo das várias áreas inerentes ao cargo.

Qual a importância da qualificação para o segmento?

Acho primordial, pois o Síndico lida com uma grande diversidade de situações e profissionais, o que requer um conhecimento mínimo das diversas áreas, além de uma experiência para lidar com esses profissionais e não correr o risco de conduzir mal a solução de algum problema.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 15


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