Dia Internacional da Mulher: a força feminina no segmento condominial

08 mar | 4 minutos de leitura
Ana Lúcia e Deyse são duas mulheres determinadas e com coragem para enfrentar os desafios que a vida apresenta

Em 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Mas não se trata apenas de uma data festiva: é um momento para refletirmos sobre as conquistas alcançadas e o longo caminho que ainda precisa ser percorrido até que, de fato, a igualdade de gênero seja uma realidade. A fim de homenagear todas as mulheres que atuam no segmento condominial, conversamos com duas mulheres determinadas e com coragem para enfrentar os desafios que a vida apresenta: a síndica Ana Lúcia Marques, que há três anos exerce a função, e a empresária Deyse Anne Pereira Dutra, uma das sócias da ACM Condomínios.

Ousadia

A história de Ana Lúcia é marcada pela ousadia. Há mais de 40 anos moradora do Condomínio do Edifício Solar Luiz XIII, no centro de Juiz de Fora, decidiu se candidatar a síndica faz três anos por não concordar com o alto valor cobrado pela taxa condominial, impactada, principalmente, pela despesa com portaria. Foi eleita e pegou “o condomínio do zero”. “Eu queria ser síndica para mudar o condomínio, mas não sabia o que era administrar”, afirma.

Não havia dinheiro em caixa, e “os funcionários faziam o que queriam”. A primeira coisa foi contratar uma administradora de sua confiança. Depois, veio a difícil tarefa de mexer no quadro de funcionários, ainda bem no início do mandato. “Pedi ao faxineiro para limpar o salão de festas e ele gritou comigo. Percebi que tinha que fazer alguma coisa”, explica, levantando a questão se isso teria ocorrido pelo fato de ser mulher. Como se não bastasse, ocorreu um atrito com um porteiro devido a férias. Não houve outro caminho a não ser demiti-lo.

A opção encontrada foi de investir em portaria remota. Resolveu pesquisar sobre o serviço. Uma das empresas contatadas foi ao edifício e mostrou como funcionaria a portaria remota. Convencida de que o melhor para o condomínio seria implantar o sistema, Ana Lúcia marcou uma assembleia, na qual levou o representante da empresa para dar explicações aos condôminos. Houve contestação, mas de uma minoria, pois a síndica trabalhou nos bastidores para mostrar aos proprietários e moradores os benefícios.

Sabendo que o condomínio não tinha dinheiro em caixa, Ana Lúcia recebeu a indicação de uma empresa que faz empréstimo para condomínio sem garantia de imóvel. O empréstimo foi aprovado nos primeiros meses de sua gestão, dezembro de 2020. “Em janeiro, demitimos os porteiros. A partir do aviso prévio, apenas um ficou até o final. Os outros três não voltaram. Foi uma confusão. Tive que ficar de porteira vários dias”, revela, acrescentando que “em 27 de janeiro, inauguramos a portaria remota. No dia 14 de março, teve início a pandemia.” Com a mudança, a despesa com portaria caiu de R$ 17 mil para R$ 6 mil por mês.

O próximo passo seria modernizar os elevadores, que já estavam muito velhos e davam muita despesa com manutenção. “Fizemos outra assembleia e como pela primeira vez tínhamos recursos, propus a troca dos elevadores. O dinheiro dava para pagar metade do valor. Pagaríamos metade à vista e parcelaríamos o restante. Se fosse preciso, faríamos outro empréstimo. Foi aprovado. Mas demorou para começar a obra e deu tempo para ter mais dinheiro em caixa”, conta, relembrando que “quando começamos a fazer a reforma, já havíamos pago o empréstimo da portaria.” Com isso, não foi necessário fazer novo empréstimo. Apenas foi mantida a taxa extra, mas com uma redução de R$ 40. Outro passo importante foi estabelecer uma taxa de condomínio com mesmo valor ao longo do ano, o que não ocorria anteriormente.

Determinada, Ana Lúcia faz questão de ressaltar que as conquistas só foram possíveis em razão da equipe que a assessora. Perguntada se o fato de ser mulher ajudou, não teve dúvida: “O olhar feminino acrescenta muito. Acho que somos mais decididas. Vai muito do temperamento de cada pessoa. Sempre fui muito independente e disposta a querer resolver. Acho que a minha força foi essa. Tive que ser ousada, tive que ser atrevida. E a maioria das pessoas com quem trabalhei e trabalho são homens. Mas foi tranquilo. Sempre me respeitaram e respeitam.” Para as mulheres que pensam em assumir um desafio semelhante, Ana Lúcia deixa a seguinte orientação: “Se estiver com medo, vá com medo mesmo que dá certo. Tem que ter ousadia. Chorei muito nesses três anos, principalmente no primeiro. Tinha medo de não dar certo. Mas valeu a pena.”

Mais mulheres trabalhando

Mas, assim como Ana Lúcia, Deyse Anne também enfrentou situações ameaçadoras. “Em um condomínio em que eu trabalhava pela administradora, estávamos fazendo a leitura de água de cada apartamento, e os moradores nos cercaram e nos trancaram dentro do condomínio, pois éramos mulheres. Aí foi preciso acionar a viatura da polícia para que pudéssemos sair de lá”, relembra, destacando que, em algumas assembleias, passou por outras situações constrangedoras, como ser xingada.

Apesar dessas situações,  Deyse Anne também conclama as mulheres a atuarem no segmento: “Eu aconselho todas a atuarem nessa área, pois temos capacidade para exercer essas funções  facilmente, tendo em vista o nosso poder de comunicação com todos e de conciliação de conflitos. Muitas vezes, conseguimos gerir de forma mais rápida e objetiva.”

FONTE: Equipe SíndicoJF | Thiago Stephan


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