A importância de fazer coleta seletiva no condomínio

02 dez | 8 minutos de leitura
Silayne Viccini aconselha fazer uma reunião com os moradores para explicar a necessidade e importância da coleta seletiva

É necessário conscientizar moradores e funcionários sobre a separação dos recicláveis


Jéssika Leite
Silayne Viccini

Cada brasileiro produz, em média, 387 kg de lixo por ano, segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). São embalagens de papel, garrafas plásticas, latinhas de alumínio, vidros, restos de alimentos, entre outros rejeitos descartados no lixo diariamente. E a maioria vai parar nos aterros sanitários ou lixões, sendo que boa parte dos materiais poderia ser reciclada e ainda contribuir com a preservação de recursos naturais.

Os condomínios são grandes geradores de resíduos e devem adotar medidas sustentáveis que vão beneficiar não apenas os moradores, mas também toda a sociedade. Nesse aspecto, uma solução eficaz é implantar a coleta seletiva como grande aliada na preservação do meio ambiente. A medida exige esforço do síndico ou administradora para conscientizar os moradores e funcionários sobre a importância da separação e descarte correto do lixo reciclável.

Um exemplo prático é o programa de incentivo à coleta seletiva da Paraibuna Embalagens, que oferece cestos coletores produzidos com materiais reciclados sem nenhum custo, a quem se interessar. Sobre esse assunto, conversamos com Jéssika Leite, assistente de Meio Ambiente da empresa. A proprietária da Lázuli Administradora de Condomínios, Silayne Viccini, abraçou o projeto da Paraibuna e falou do processo de implantação nos prédios geridos pela Administradora e quais são os obstáculos para colocá-lo em prática.

O Síndico: Como surgiu a ideia de implantar a coleta seletiva nos condomínios?

Silayne Viccini: Já existe uma discussão ampla no nosso cotidiano sobre como melhorar a sustentabilidade e ajudar o planeta, mas quase ninguém coloca em prática as ações. Pensando nisso, tive a ideia de começar a trabalhar efetivamente essa questão dentro dos condomínios. Fiquei sabendo do projeto da Paraibuna Embalagens e entrei em contato para me informar sobre como participar.

É preciso criar uma conscientização nas pessoas sobre a enorme quantidade de lixo que produzimos e o quanto pode ser reciclado. Eles nos disponibilizaram coletores de papelão gratuitamente, assim como materiais educativos para distribuição aos moradores. Minha ideia é expandir o projeto e atingir todos os condomínios gerenciados pela Lázuli, porém, por serem muitos, escolhemos os dez edifícios mais próximos da Administradora e que possuem portaria 24 horas para começar.

Quais as dificuldades para colocar o projeto em prática?

Silayne Viccini: Creio que a maior dificuldade seja a falta de conhecimento dos gestores com relação aos processos. Os moradores já têm consciência da importância de fazer a reciclagem. Durante a pandemia, com as pessoas passando mais tempo dentro de seus apartamentos, o interesse pelo assunto aumentou bastante. Enquanto administradora, nós procuramos mostrar aos síndicos que eles têm um papel centralizador em tudo isso. Damos a ideia, prestamos o suporte, mas eles é que estão mais presentes no dia a dia do condomínio e precisam abraçar a causa.

Fale mais sobre outras atitudes sustentáveis que você tem praticado ou percebido.

Silayne Viccini: Estamos implantando no escritório da Lázuli a ideia de sermos mais sustentáveis. Entre as mudanças em processo estão a utilização de papel reciclado, o fim do uso de copos descartáveis e substituição por reutilizáveis. Temos também um condomínio no qual a síndica fez campanha para coleta de óleo de cozinha usado. Uma empresa que produz sabão em barra busca a substância e ainda fornece material de limpeza para o edifício em troca.

Para os síndicos e administradoras que desejam começar a fazer coleta seletiva no condomínio, quais dicas você daria?

Silayne Viccini: O meu conselho é fazer uma reunião sobre o assunto para mostrar aos moradores a necessidade e importância da coleta seletiva. Eles têm que abraçar a ideia, afinal, a separação do lixo ocorre dentro de suas casas e as pessoas precisam levar o material até os cestos coletores. Nesse aspecto, o folheto educativo disponibilizado pela Paraibuna Embalagens e que é distribuído aos condôminos, ajuda a explicar melhor, de forma didática, como funciona todo processo.

“O gestor é a figura mais presente no dia a dia do condomínio e precisa abraçar a causa”

É necessário ter um local específico para armazenamento dos resíduos?

Silayne Viccini: Em todo condomínio, já existe uma área comum destinada ao lixo geral que será descartado. Nós já produzimos muitos resíduos, porém, ficam todos armazenados e misturados no mesmo recipiente. Com a implantação da coleta seletiva, colocamos cestos de lixo reciclável para que os resíduos sejam depositados pelos moradores de forma separada.

Há alguma legislação sobre reciclagem em condomínios?

Silayne Viccini: Existe a Lei Federal 12.305/10, vigente desde agosto de 2014, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e determina sobre a coleta e reciclagem de lixo. A lei traz responsabilidades tanto para os moradores, que precisam separar adequadamente seus resíduos (recicláveis, orgânicos e rejeitos), quanto para os condomínios, que devem instituir um Sistema de Coleta Seletiva adequado.

O ideal seria que todos tivessem um pensamento sustentável, mas infelizmente não é o que acontece na prática. Certamente, se houvesse uma legislação local que norteasse o assunto, os resultados poderiam ser muito mais positivos. Espero que os governantes que estão na administração pública possam voltar seus olhares para a questão.

Qual a importância da reciclagem para o planeta?

Silayne Viccini: O lixo sempre existiu e vai continuar existindo, mas temos que aprender a dar uma destinação correta aos resíduos e promover a reciclagem. Cada cidadão precisa fazer a sua parte e não ficar apenas esperando que o outro tome uma atitude. Nós começamos com pequenas ações dentro do nosso próprio lar e podemos inspirar os demais condomínios e até mesmo outras cidades a seguirem o exemplo. Esse é o caminho para chegarmos a um planeta mais sustentável.

A prática traz benefícios para todos, visto que os materiais recicláveis podem ser reaproveitados e transformados em novos produtos. Além disso, será menos resíduo indo parar nos lixões e poluindo o meio ambiente para as futuras gerações. Pensar em reciclagem é uma atitude cada vez mais importante para a manutenção da saúde do planeta e também das pessoas. Chegou a hora de cada um dar a sua contribuição.

Jéssika Leite: A reciclagem tem uma relevância grande, visto que o Brasil produz 79 milhões de toneladas de lixo por ano e apenas cerca de 4% são reciclados. Isso quer dizer que a maioria dos resíduos vai parar em aterros sanitários, o que causa prejuízos ao meio ambiente. Os rejeitos despejados na natureza acabam por poluir a água e o solo. A reciclagem ajuda a reduzir a acumulação progressiva de lixo e também economiza insumos para produção de novos materiais, como por exemplo o papel, que exigiria o corte de mais árvores, sendo um fator bastante negativo em relação à vida do nosso planeta.

Como funciona o projeto da Paraibuna Embalagens?

Jéssika Leite: A empresa tem um programa de fomento à coleta seletiva, cuja finalidade é promover a reciclagem por meio de uma série de ações. Nós disponibilizamos gratuitamente kit de cestos coletores, conteúdo sobre a reciclagem no formato de vídeo e folhetos que orientam sobre onde devemos jogar cada tipo de lixo e muito mais. São três cestos grandes feitos de papelão ondulado e cada um possui uma cor. O azul é somente para papel limpo, o verde é para itens como plástico e metal, e o vermelho para os orgânicos. Damos todo apoio e prestamos auxílio para quem deseja iniciar a coleta seletiva dentro do condomínio e esclarecemos todas as dúvidas que possam surgir. Nós ainda ajudamos os síndicos ou administradoras a entenderem a geração de resíduos na edificação.

“Nós disponibilizamos gratuitamente kit de cestos coletores, vídeo e folhetos sobre reciclagem”

Quem é o responsável por recolher o lixo reciclado?

Jéssika Leite: Temos parceria com associações de catadores de Juiz de Fora. Nós informamos os telefones dos responsáveis aos síndicos ou administradoras para agendar uma data e horário para retirada do material reciclável no condomínio. Com relação ao número de vezes que a equipe passa por semana para recolher os materiais, isso vai depender da demanda de cada local. Alguns vão conseguir encher os cestos rapidamente, enquanto outros podem demorar mais tempo. Será necessário estudar o prazo individualmente.

Como outros condomínios podem participar?

Jéssika Leite: Quem quiser conhecer mais sobre o programa de coleta seletiva da Paraibuna Embalagens pode acessar o site www.paraibuna. com.br e clicar na aba reciclagem. A página exibirá todas as informações do projeto e tem também um vídeo explicativo. O síndico ou administradora pode nos enviar uma mensagem pela guia Fale Conosco, preenchendo nome completo, endereço de e-mail e telefone. Se preferir, também pode entrar em contato pelo número (32) 2102-4000 para efetivarmos a parceria.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 47


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