Porteiros que amam a profissão

27 maio | 4 minutos de leitura
Na edição que celebra o Dia do Porteiro, a revista “O Síndico” entrevista dois profissionais: um leva o bom-humor por onde passa, o outro é uma lição de dedicação

Alegria e dedicação. Essas são características marcantes no trabalho de Domingos Luiz de Souza, 65 anos, e Juber Almada, 49, os dois profissionais escolhidos pela revista “O Síndico” para homenagear a categoria pelo Dia do Porteiro, celebrado em 9 de junho. O primeiro atua nesta profissão há pouco mais de um ano e se apaixonou por ela. Sua portaria é uma das mais alegres dos condomínios de Juiz de Fora. Afinal, Domingos também atua como palhaço quando não está na recepção do Residencial Santorini. O segundo trabalha há nove anos na portaria do Condomínio La Provence, mas já tem 12 anos de atuação e também não esconde o orgulho de ser porteiro.

Hora para brincar e hora para ser sério

Como começou a vida como palhaço?

Domingo Luiz de Souza: Comecei a trabalhar como palhaço em 1975. Antes disso, já trabalhava como comediante na TV Industrial e na Rádio PRB3. Achei que como palhaço poderia aumentar o meu campo de atuação, podendo atuar também em festas de aniversário e em lojas. No início, tinha ajudante, mas logo passei a trabalhar sozinho.

E o trabalho de porteiro, como surgiu?

Domingo Luiz de Souza: Um amigo me indicou para uma vaga. Fez um ano que comecei a trabalhar como porteiro no último dia 2 de abril. Fui aprendendo no dia a dia com os colegas de trabalho. Com o tempo fui conquistando os moradores. Quando mostro uma foto vestido de palhaço, eles não acreditam. Fiz recentemente o curso de “Excelência em Portaria” e pretendo fazer também, para me aprimorar, um curso de primeiros socorros.

O trabalho como porteiro exige muita atenção, seriedade. Dá para ser alegre e fazer um bom trabalho ao mesmo tempo?

Domingo Luiz de Souza: Eu sempre levo o bom humor para onde trabalho. A vida me ensinou muita coisa. Acredito que ser gentil, dar bom-dia, é obrigação de todos. Lá no prédio, tem muitas pessoas que moram sozinhas e essa alegria eu passo para elas. É o meu jeito de ser. Moleque, no bom sentido. Às vezes, quando estou com vontade de ir ao banheiro, olho as imagens das câmeras e vejo que não tem ninguém chegando. Aí vou ao banheiro rapidinho e sempre aparece alguém na portaria, esperando. Para dar uma quebrada no clima, conto que estava retocando a maquiagem.

E nesse ano atuando como porteiro, ocorreram muitas histórias engraçadas?

Domingo Luiz de Souza: Teve uma história de uma moradora que reclamava da TV a cabo por que via outras pessoas reclamando, mas não tinha assinatura. Uma pessoa que não subia de elevador de jeito nenhum… As histórias são muitas.

Um homem de confiança

Ser porteiro é difícil? Você gosta do seu trabalho?

Juber Almada: Não é fácil. São muitas as responsabilidades. Também tem a questão do perigo, já que hoje em dia são muitos assaltos, ficamos na entrada do condomínio e com a função de evitá-los. Por isso, temos sempre que ficar bastante atentos. Mas é um serviço muito bom. Onde trabalho, o pessoal é muito legal e fiz muitas amizades. Trabalho com amor, com carinho.

O que poderia melhorar na sua profissão?

Juber Almada: O nosso salário vem melhorando, porém pelo serviço e sua responsabilidade, entendo que ainda não temos a valorização devida. Mas estamos prosperando. Hoje em dia, por exemplo, recebemos ticket alimentação, o que não ocorria há alguns anos.

Quais as dicas que você daria a um porteiro iniciante?

Juber Almada: O porteiro tem que ter muita atenção no que faz e servir bem aos moradores. Ter respeito pelas pessoas e pela profissão. Agindo assim, só temos a ganhar.

Às vezes, os moradores podem fazer pedidos que fogem da responsabilidade do porteiro. O que fazer nestes casos?

Juber Almada: Na medida do possível, podendo, a gente faz em nome de uma melhor convivência. Às vezes, a pessoa é tão boa que não temos como recursar. Até hoje nunca precisei recusar nenhum pedido.

Ao longo desses 12 anos, muitas histórias te marcaram?

Juber Almada: Em um prédio que trabalhei, ganhei um jogo de sofá para a minha casa. Sempre recebi muito carinho por trabalhar com amor. Uma vez, a minha mãe teve um problema de saúde e uma médica que morava no condomínio cuidou dela e não cobrou nada. Isso não dá para esquecer. Tenho gratidão.

Algo que gostaria de acrescentar?

Juber Almada: Vi uma pesquisa que mostrava que de cada três assaltos em edifício, dois são em condomínios sem porteiro. A melhor medida de segurança ainda é o porteiro.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 08


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