Como a Inteligência Artificial conectará com a Inteligência Emocional no mercado condominial

ESCRITO POR: Odirley Rocha
Especialista em inovação e futuro condominial, formado em Eletrotécnica e Eletrônica, diretor de relacionamento do Porter Group
Com o crescimento exponencial da tecnologia e a popularização da Inteligência Artificial (IA), vivemos um momento de transformação em diversos setores da sociedade. No mercado condominial não é diferente. Nos últimos 5 anos, percebi um avanço tecnológico incrível no nosso segmento e cada vez mais os condomínios estão abertos a novas tecnologias. Porém, estaremos passando por um novo momento dentro dos condomínios brasileiros que mudará de vez a maneira como vivemos em comunidade. Eu acredito que a integração entre Inteligência Artificial (IA) e Inteligência Emocional (IE) emerge como uma solução poderosa para melhorar a gestão condominial e criar o verdadeiro condomínio do futuro.

O que é Inteligência Artificial e como ela se aplica na gestão condominial?

A IA refere-se à capacidade de sistemas computacionais de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como reconhecimento de padrões, tomada de decisões e automação de processos. No contexto condominial, a Inteligência Artificial na gestão condominial pode ser aplicada em diversas áreas, como:
  1. Automação de tarefas administrativas: Você sabia que temos  Softwares de gestão com muita IA incorporada, como o “Almah” que pode automatizar o envio de boletos, controle financeiro, agendamento de manutenções e comunicações com condôminos;
  2. Monitoramento e segurança condominial: Leitores faciais de acesso com envios de convites, câmeras inteligentes com reconhecimento facial ou de placas de veículos podem melhorar a segurança dos moradores;
  3. Análise preditiva: Sistemas que analisam dados de consumo de água, energia, elevadores e outros recursos podem sugerir formas de reduzir custos e aumentar a eficiência no condomínio;
  4. Mordomo virtual para condomínios: Dentro deste software de gestão com IA, você consegue fazer perguntas sobre regimento interno e ter respostas num passe de mágica.

A Importância da Inteligência Emocional

Embora a IA traga eficiência e praticidade, é a Inteligência Emocional na gestão condominial que constrói a ponte entre as soluções tecnológicas e as relações humanas. Na gestão condominial, a IE é essencial para lidar com conflitos, gerenciar expectativas e criar um ambiente harmonioso. Um síndico com alta IE consegue:
  1. Compreender e gerenciar as emoções dos condôminos: Muitas questões no condomínio envolvem emoções, como frustrações com barulho, problemas estruturais ou mesmo desentendimentos entre vizinhos;
  2. Comunicar-se de forma assertiva e empática: Uma comunicação eficaz pode evitar muitos problemas e garantir que os condôminos sintam-se ouvidos e respeitados;
  3. Resolver conflitos de maneira construtiva: A IE permite transformar situações típicas de atrito em oportunidades de construção de relações mais saudáveis.

Agora vou detalhar a relação que eu enxergo entre IA e IE na Prática Condominial

A verdadeira revolução na gestão de condomínios acontece quando combinamos o poder analítico da IA com a sensibilidade humana proporcionada pela IE. Vamos a alguns exemplos práticos:
  1. Chatbots humanizados para condomínios: – Imagine um assistente virtual que responde perguntas sobre o regulamento interno ou o status de uma solicitação de manutenção. Esse chatbot, alimentado por IA, pode ser programado para responder de forma empática e atenciosa, simulando um atendimento humanizado. Imagina que  IA vai interagir muito com o morador e dependendo da dúvida aí sim a IA envia para o Síndico. Um exemplo seria: “Entendo sua preocupação com o barulho relatado. Vou encaminhar essa questão ao síndico e acompanhar para garantir uma solução rápida.” 
  2. Previsão de conflitos em condomínios: – Um sistema de IA pode analisar padrões de reclamações em um condomínio e prever áreas ou situações que podem gerar conflitos futuros. Por exemplo, se há um aumento de queixas sobre o uso do salão de festas, o síndico pode agir preventivamente criando um cronograma mais claro ou enviando lembretes sobre regras de uso.
  3. Feedback automatizado e personalizado para condôminos: – A IA pode ser utilizada para criar enquetes e formulários automáticos que captam a opinião dos condôminos após a realização de uma obra ou evento. Esses feedbacks podem ser analisados e apresentados ao síndico de forma estruturada, permitindo ações mais direcionadas.
  4. Suporte na mediação de conflitos condominiais, numa assembleia virtual: – Em uma reunião condominial acalorada, um sistema de IA poderia atuar como mediador auxiliar, analisando o tom de voz ou palavras utilizadas e sugerindo pausas ou intervenções para evitar escalada do conflito.

“Eu acredito que num futuro breve a Tecnologia e Humanidade estarão de Mãos Dadas”

O mercado condominial precisa abraçar a tecnologia, mas sem abrir mão da humanização que é fundamental para o bem-estar coletivo. A integração da Inteligência Artificial na administração de condomínios com a IE permite que os síndicos, mesmo os mais resistentes à tecnologia, possam delegar tarefas complexas e focar no que realmente importa: construir um ambiente de convivência harmonioso e eficiente. Esse é o caminho para o condomínio do futuro.
Para concluir, a gestão condominial eficiente não é apenas sobre administração financeira ou resolução de problemas técnicos, mas também sobre pessoas e relações. 

“Com a IA, conseguimos potencializar a eficiência operacional; com a IE, garantimos o toque humano indispensável.”

Quando combinadas, essas inteligências criam um modelo de gestão mais adaptado às demandas do presente e do futuro, atendendo tanto às necessidades tecnológicas quanto às emocionais dos condôminos.
A evolução é inevitável, mas o sucesso dependerá da capacidade de unir tecnologia e humanidade. O desafio está lançado e as soluções já estão ao nosso alcance.
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Transição Energética e Condomínios: Uma Nova Era de Sustentabilidade

Transição Energética é o tema do momento. As Mudanças Climáticas, questões econômicas e até a guerra entre Rússia e Ucrânia têm levado o mundo inteiro a rever suas políticas energéticas. 

A Transição Energética é um movimento global que está mudando a maneira como produzimos e consumimos energia. Este movimento visa substituir, de forma gradativa, os combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis e limpas e tem implicações significativas para todos os setores da sociedade, incluindo o setor imobiliário. Condomínios residenciais, em particular, estão em uma posição única para liderar o caminho nesta transição.

 

O Papel dos Condomínios na Transição Energética 

Os condomínios são comunidades autônomas que consomem uma quantidade significativa de energia. Eles têm o potencial de desempenhar um papel importante na transição energética através da implementação de 3 soluções: 

  1. Eficiência Energética: destacam-se aqui o uso da iluminação LED, com economia de pelo menos 50% (em relação às fluorescentes), substituição de chuveiros elétricos por aquecimento solar da água e após a eficientização do uso da energia, a adoção de um sistema de geração fotovoltaica, se esse se tornar viável, não havendo áreas de sombra agora ou no futuro. É preciso considerar também os custos com manutenção, inclusive limpeza que, se for negligenciada, diminui a geração do sistema.
  2. Eletrificação dos veículos: os carros elétricos têm caído de preço a cada ano e aumentado exponencialmente suas vendas. A retirada dos gases de efeito estufa dos automóveis é uma das mais importantes medidas da transição energética. A economia só com o “abastecimento” chega a 80%, sem falar na manutenção, na comodidade da recarga residencial, melhoria na saúde da população com a diminuição dos problemas respiratórios em geral e na poluição sonora das grandes cidades, já que os carros elétricos não fazem o barulho dos carros tradicionais, à combustão. 
  3. Educação Sustentável: as unidades residenciais são a base da sociedade. A Sustentabilidade começa pelas pessoas. Mudando hábitos, muda-se toda uma cultura. 

 

Benefícios da Transição Energética para Condomínios 

A transição energética oferece vários benefícios para os condomínios: 

  1. Economias significativas nos custos de energia. 
  2. Valorização dos imóveis, ao torná-los mais atraentes para os compradores conscientes do meio ambiente.
  3. Melhora da qualidade de vida dos moradores, ao criar um ambiente mais saudável e sustentável. 

 

Desafios e Soluções 

Apesar desses benefícios, a transição energética também apresenta desafios. O custo inicial de instalação de sistemas de energia renovável pode ser alto. No entanto, os custos estão diminuindo rapidamente e existem várias opções de financiamento disponíveis. Além disso, a falta de conhecimento e compreensão sobre a transição energética pode ser um obstáculo. Portanto, é crucial fornecer educação e conscientização sobre os benefícios da energia renovável e da eficiência energética. 

 

Implementação 

O Síndico e o Conselho são figuras fundamentais na Transição Energética do Condomínio. Primeiro é preciso comprar a idéia e para isso é necessário capacitação, para ter argumentos técnicos e principalmente econômicos e culturais para que o morador se veja incluído nesse processo.

A estratégia inicial pode começar com uma palestra para os moradores, para suscitar o debate e o apoio. Junto à isso a realização de um Diagnóstico Energético, que vai apontar e quantificar as medidas viáveis técnica e economicamente, classificando-as por critérios de importância, segurança, viabilidade e custo-benefício.

O Diagnóstico Energético vai também avaliar os horário de pico do sistema, para que a recarga de muitos carros elétricos ao mesmo tempo não venha a desligar o disjuntor geral do Condomínio e ainda a qualidade da energia elétrica, para evitar danos aos equipamentos elétricos dos moradores. 

 

A Transição Energética já começou e é irreversível

A transição energética é uma oportunidade para os condomínios se tornarem líderes em sustentabilidade. Ao adotar soluções de energia renovável e práticas sustentáveis, eles podem reduzir sua pegada de carbono, economizar recursos e criar um ambiente melhor para seus moradores. A jornada pode apresentar desafios, mas os benefícios a longo prazo para o planeta e para as gerações futuras são inestimáveis.

 

 

 

 

FONTE: Adriano Pascoal graduou-se em Engenharia Elétrica, com Ênfase em Eletricidade Industrial, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, onde também lecionou na Faculdade de Engenharia entre 2006 e 2012. É Consultor e Palestrante em Gestão Energética desde 2011, com diversos Diagnósticos Energéticos realizados, principalmente em Indústrias, Hospitais e Condomínios e Autor do Livro Gestão da Energia Elétrica em Sistemas de Baixa Tensão.

 

Residencial Jardim dos Manacás adere à usina de energia solar

Para facilitar futuras operações e manutenções, foi deixado um corredor entre os painéis de energia solar.

Novo sistema de geração de energia possibilitará economia de custos no condomínio

Tendo como foco sustentabilidade e economia, o Edifício Antônio Augusto Teixeira – Unidade Integrante do Conjunto Residencial Jardim dos Manacás, localizado na rua Santo Antônio, centro de Juiz de Fora, instalou, recentemente, placas de captação de energia solar. A instalação foi concluída no mês de julho, quando foi efetivada a conexão da central geradora no local. A expectativa é que, a partir da fatura de novembro, seja possível constatar o percentual de economia gerada.

Para Welba, ao optar por essa tecnologia, está se promovendo um estilo de vida mais sustentável e responsável.

 

Até a conclusão da instalação e início efetivo da captação, a síndica Laélia Freire de Almeida Alves conta que vários passos e cuidados foram tomados. “Temos um morador que é professor de engenharia elétrica. Ele listou, em um documento, tudo o que precisávamos para fazer as cotações, e o encaminhamos para empresas indicadas. De posse das propostas, marcamos uma assembleia geral e apresentamos aos condôminos presentes. Na ocasião, discutimos alguns pontos e definimos pela escolha da maioria.” 

Nesse caso, conforme explicou a atendente de condomínios da 676 Administradora, Welba Lúcia de Paula, com a realização da assembleia geral extraordinária com item dedicado ao assunto, venceu o voto da maioria de condôminos presentes, por se tratar de uma obra considerada necessária que gera economia e contribuição ao meio ambiente. 

Sobre a aceitação do projeto, Welba declara que  é importante promover uma comunicação clara e transparente com os condôminos sobre os benefícios da energia solar. E completa: “um projeto bem estruturado, que considere as opiniões e preocupações dos envolvidos, não apenas facilita a aceitação, mas também fortalece o senso de comunidade e engajamento em torno de práticas sustentáveis”.

Economia e sustentabilidade

Economia e sustentabilidade foram os motivos para a escolha do sistema solar fotovoltaico, relatou a síndica. Isso porque a energia solar é considerada uma energia renovável, limpa, gerada com o mínimo impacto ambiental e de forma sustentável, trazendo consigo conceitos como conscientização e preservação do meio ambiente. 

Reforçando a questão, Welba destaca que a instalação de painéis solares pode resultar em economias substanciais nas faturas mensais de energia, permitindo que os recursos financeiros sejam melhor alocados em investimentos na infraestrutura do condomínio ou para diminuição das taxas condominiais. “Isso não apenas beneficia financeiramente, mas também melhora a qualidade de vida, permifindo que o condomínio invista em outras áreas, como segurança e manutenções preventivas e corretivas”, relata.

Segundo o eletrotécnico da Solar Maxx, Pedro Rocha Martins, responsável pela instalação do sistema fotovoltaico no condomínio, os equipamentos para usinas solares são pagos, em média, entre dois e cinco anos, dependendo das condições do financiamento. “Hoje em dia, eles têm garantias longas. Um exemplo é o inversor, cuja garantia é de 12 anos, enquanto os painéis têm garantia de 15 anos. No caso do condomínio em questão, será possível pagar a usina nos três primeiros anos e, durante nove anos, do quarto ao décimo segundo ano, será só economia, tratando-se, portanto, de um ótimo investimento. Após a instalação do sistema, o valor da fatura fica muito reduzido”, destaca Pedro.

 

Após a instalação do sistema, o valor da fatura fica muito reduzido

 

Cuidados com a instalação

Para evitar problemas e acidentes como o que aconteceu em agosto no Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora da Conceição, em Recife, cujo teto desabou matando duas pessoas e ferindo outras 22, é muito importante escolher bem o local para a instalação dos equipamentos e seguir fielmente o projeto e a orientação da empresa contratada que deve ter um profissional técnico habilitado que assine pela obra. 

A síndica Laélia destaca que, antes da instalação, foi feita uma manutenção preventiva no telhado, abrangendo sustentação, telha e calha. “Substituímos o que foi necessário para total segurança na instalação das placas.” A intenção é que o telhado sustente a carga de sobrepeso dos equipamentos, assim como a carga do vento a ser impactada sobre a usina.  

O eletrotécnico ressalta que as características do local precisam ser bem avaliadas. “Precisamos analisar o tipo de telhado, se a estrutura estará exposta ou não, analisar o peso dos painéis que será suportado, além do espaçamento e espessura da estrutura de sustento do telhado. A indicação, portanto, é que tal avaliação seja feita por um engenheiro civil capacitado.” 

Outro item que precisa ser observado é a forma de instalação do equipamento que deve deixar um corredor entre os painéis para futuras operações e manutenções. Caso contrário, será necessário desmontar a usina a cada manutenção.

 

Valorização do imóvel

A adoção de práticas sustentáveis, como a energia solar, também valoriza o imóvel. Isso é o que pensam os representantes da 676 Administradora, por considerarem este um diferencial no mercado imobiliário. Segundo a empresa, edifícios que oferecem soluções ecológicas, e que demonstram preocupação ambiental, atraem mais interessados, sendo mais valorizados por investidores e locatários. Tudo isso se reflete numa crescente demanda por unidades sustentáveis.

 

Fonte: revista O Síndico Edição 58

Márcia Lombardi soma experiência e modernidade à frente da Universal Imóveis

Foto da Márcia Lombardi | Imagem Principal | Revista Síndico JF

Márcia explica que o evento UniCondomínio tem como objetivo capacitar síndicos, promover troca de informações e apresentar novidades

 

Contabilizando 33 anos no ramo imobiliário, sendo 29 na Universal Imóveis, Márcia Lombardi está entregando, para Juiz de Fora, uma das melhores infraestruturas para síndicos e demais clientes. Inaugurada em novembro passado, a nova sede própria da Universal Imóveis soma modernidade, conforto e beleza em um andar do edifício situado no número 627 da rua Santo Antônio, região central da cidade.

Diretora da Universal Imóveis, Márcia revela ter saído de Rio Pomba sem qualquer conhecimento sobre o mercado imobiliário. “Venho de uma família humilde, de nove irmãos, e lá, à época, nem existia imobiliária. Então, foi um ramo que conheci em Juiz de Fora e que me abriu portas.”

No dia 23 de abril, a Universal Imóveis vai retomar o evento UniCondomínio, pausado em função da pandemia. Após três edições realizadas no Hotel Serrano, o evento desse ano será na sede própria, e a intenção é que o encontro passe a integrar o calendário anual da empresa, com duas edições, a partir de 2025.

 

Confira a entrevista completa:

 

Revista O Síndico: Fale um pouco sobre sua história e sua ligação com o ramo condominial.

Márcia Lombardi: Sou técnica em contabilidade. Estou no ramo imobiliário há quase 33 anos tendo começado como secretária, passando depois pela locação e setor de vendas. Há 29 anos, fundamos a Universal Imóveis e a entrada no ramo condominial veio com a chegada da minha irmã Alessandra Ribeiro, como sócia. Ela é advogada, trabalhava no Tribunal de Justiça, mas queria sair. Foi aí que, juntas, abrimos, há 11 anos, o setor de condomínios da Universal. Há cerca de um ano, com o desligamento da Alessandra, assumi o setor, juntamente com a Ana Precioso, que, com Maurício Levy, comanda a gestão de condomínios.

 

Revista O Síndico: Com tantas mudanças recentes na Universal Imóveis (físicas, de logomarca e de conceito), o que ganham os clientes e síndicos da cidade?

Márcia Lombardi: A nova sede oferece um espaço muito maior para nossos colaboradores, e também permite a realização de reuniões de condomínio, assim como promover trocas com empresas em nosso auditório. Ter nossa sede própria era um sonho antigo. Fizemos tudo pensando no conforto dos nossos colaboradores e dos nossos clientes. Nossa intenção é estar mais próximos da comunidade, e reunir, em nosso auditório, pessoas do entorno e empresas parceiras.

 

Revista O Síndico: Fale sobre o UniCondomínio. Qual é a proposta do evento?

Márcia Lombardi: O UniCondomínio é um evento que promovemos com o objetivo de capacitar os síndicos, promover a troca de informações e apresentar novidades do mercado condominial. Ainda temos muitos síndicos orgânicos, lidando com os problemas do condomínio, talvez trabalhando com outras coisas, que não têm oportunidade de acompanhar as novidades, de trocar experiências. Ser síndico é uma missão, e sabemos como as pessoas estão imediatistas e sem paciência, fazendo com que o síndico precise de apoio, de informação, de ajuda. Estamos aqui para isso, e nosso evento quer mostrar as novidades que trarão mais economia, transparência e eficiência para o condomínio.

 

Revista O Síndico: A retomada dos encontros em sede própria tem um gosto especial?

Márcia Lombardi: Com certeza! A retomada desse evento é especial porque entendemos que é muito importante para Juiz de Fora. Deve ser realizado mais vezes, com mais empresas. Por ser na nossa sede nova, representa uma oportunidade de apresentá-la e mostrar toda a nossa infraestrutura e tecnologia, reforçando que estamos sempre inovando para trazer melhorias para nossa prestação de serviços.

 

Revista O Síndico: Ainda sobre as mudanças, como o setor de condomínios da Universal foi reestruturado?

Márcia Lombardi: Nossa estrutura, hoje, conta com a Ana Precioso na gestão. Ela está conosco há mais de dez anos, unindo competência e vivência dentro dos condomínios. Temos também o Maurício Levy, que foi gestor do Alphaville, o que demonstra o tamanho da sua experiência. Temos, ainda, a Simone, que cuida do atendimento aos síndicos; e a Ruth, que cuida da parte financeira e administrativa dos condomínios.

FONTE: Revista O Síndico – Edição 57

Cláusula sobre portaria virtual

Sobre Portaria Virtual | Síndico JF

CCT para funcionários de condomínios paulistanos entrou em vigor dia 1º de Outubro de 2023

Com o fim das negociações entre Sindifícios (Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios) e Sindicond (Sindicato Patronal dos Condomínios), entrou em vigor no último dia 1º de outubro a Convenção Coletiva de Trabalho 2023 para funcionários de condomínios da cidade de São Paulo.

Além de reajustar salários e benefícios, o documento deste ano incluiu uma nova cláusula que impõe algumas exigências para a demissão de trabalhadores após a implantação de portaria virtual.

De acordo com a CCT, que foi devidamente homologada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, condomínios que quiserem adotar a modalidade virtual serão obrigados a manter, no mínimo, 2 empregados/posto de trabalho e pagar indenização equivalente a 10 pisos salariais da categoria para cada funcionário demitido.

Cláusula de Portaria Remota: inconstitucional?

A polêmica ganha força. Na opinião do advogado especialista em condomínios Rodrigo Karpat, além de ultrapassar o limite de atuação das entidades sindicais, a nova cláusula fere princípios constitucionais. “A citar, o direito à livre negociação, autonomia de vontades, boa fé, razoabilidade, livre iniciativa e do livre exercício de qualquer atividade econômica”, aponta.

Selma Migliori, presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança) tem o mesmo entendimento.

“Não há dúvidas quanto à inconstitucionalidade da cláusula, e pairam muitas questões no ar sobre o papel do sindicato que diz representar os condomínios. Cláusulas como esta acabam indo além do papel das convenções coletivas, regulando, por exemplo, o que o condomínio pode contratar ou não e questões da empresa. Isso é absolutamente ilegal”, ela enfatiza.

No parágrafo quinto da 36º cláusula da convenção coletiva denominada “Regulamentação do Monitoramento à Distância”, são detalhadas até mesmo os documentos que os condomínios devem exigir da empresa contratada de portaria remota, tais como:

[…] prova de regularidade fiscal e previdenciária da empresa; cópia do cartão do cadastro Nacional de pessoa jurídica – CNPJ; certidão negativa de débito da Dívida Ativa da União, relativamente aos sócios; qualificação de seu responsável técnico e prova de sua relação contratual com a empresa, salvo seja ele seu sócio – proprietário; E relação com nome, identidade (RG), Cadastro de Pessoas físicas (CPF) e endereço de todos os funcionários com cópia dos respectivos registros.

Em bate-papo promovido pelo SíndicoNet no dia 10 de outubro, advogados e representantes das organizações envolvidas na polêmica defenderam posicionamentos diferentes. Confira abaixo:

Proteção ao emprego x requalificação profissional

Conforme consta em seu primeiro parágrafo, o objetivo da cláusula do convenção coletiva é a proteção do emprego e mercado de trabalho diante dos prejuízos que a automatização vem causando aos trabalhadores de condomínios.

Para o presidente do Sindifícios, Paulo Ferrari, a portaria remota acaba regulando os empregos, pois diminui a faixa de trabalho para os funcionários de condomínio ao substituir a mão de obra do local quase que integralmente pela tecnologia.

“Estabelecemos essa multa para que o trabalhador se requalifique e consiga retornar ao mercado de trabalho após ser dispensado em face da implantação de portaria virtual. O valor da indenização vai para ele e não para o sindicato”, Paulo esclarece.

Já para Décio Tenório, diretor comercial do Grupo Souza Lima, a tecnologia não causa o desemprego, mas gera, sim, novas oportunidades de profissões – cenário este semelhante ao cargo de ascensorista, por exemplo.

Em um prédio com seis elevadores, havia um cabineiro para cada equipamento, mas hoje em dia, os elevadores inteligentes cumprem a função desse trabalhador. O que vemos é essa mão de obra ser realocada na área de facilities e segurança patrimonial.

“No caso da portaria remota acontece exatamente isso: o reaproveitamento desses funcionários demitidos, os quais são retirados de dentro das guaritas para atuarem nas centrais de monitoramento. Sendo assim, o modelo não motiva o aumento do índice de desemprego da categoria”, argumenta Décio.

O porteiro passa a exercer a mesma função só que à distância, fazendo uso do recurso da tecnologia, então, do ponto de vista de empregabilidade, entende-se que a demanda é a mesma. Para Selma, aliás, o segmento de segurança eletrônica enfrenta um déficit de mão de obra e a recontratação desses profissionais de portaria é uma boa alternativa para suprir isso.

Paulo refuta esse argumento veementemente. “Posso garantir que 98% dos colaboradores de condomínio são demitidos e saem do mercado. Essas empresas não têm o cuidado de recolocar esse trabalhador, requalificando-o para posto de guarita ou monitoramento”, declara.

Em contrapartida, o panorama de mercado da Abese aponta que 64,29% das empresas pretendem contratar funcionários para áreas técnicas, considerando que, em média, cada uma conta com 44 colaboradores em média. Ou seja, há espaço no mercado de prestação de serviços para centrais de monitoramento.

“Existe um interesse mútuo de quem quer contratar, afinal, temos muita dificuldade em encontrar mão de obra especializada. Os que saem da portaria física são muito importantes para nós, pois já têm experiência e conhecimento na área”, complementa Décio.

Dessa forma, além de manter o funcionário empregado e num local mais seguro que as guaritas ultimamente, o avanço da tecnologia provoca um aprimoramento profissional, segundo Selma. Isso porque as empresas de portaria remota costumam realizar treinamento, cursos e atualizações para que esses funcionários possam operar o sistema corretamente.

Defesa do emprego x garantia de arrecadação

Na visão de Décio, o grande conflito disso tudo é que o sindicato dos funcionários de condomínio tem interesse na própria receita e não necessariamente estão preocupados em proteger o emprego ou defender os direitos desses trabalhadores.

Se um empregado, associado ao Sindifícios, é dispensado do condomínio e readmitido em uma empresa de terceirização ou monitoramento, ele passa a contribuir com outro sindicato, o de prestação de serviços.

Segundo Paulo Ferrari, o sindicato tem sim o compromisso de representar, defender e promover qualidade de vida para aos integrantes da categoria e seus dependentes.

Foi com esse espírito que, após muitas rodadas de negociações com o Sindicond, a Campanha Salarial 2023 obteve reajuste acima do INPC, além de estender o BAPS ao cônjuge, melhorar os valores ligados à alimentação, promover mudanças no vale combustível e adicionar melhorias no Salário Habitação e Adicional por Acúmulo de Cargo (vide abaixo os detalhes dos benefícios)

O Sindifícios também oferece assistência médica e dentária, bem como cursos de qualificação de Portaria, Zeladoria, Ascensorista e Fundamentos Básicos da Gestão Condominial, com valores especiais para os filiados. Outros projetos, como cursos de Inglês, Espanhol e Informática estão sendo implementados. Para Paulo, essas ações demonstram a preocupação do sindicato com o trabalhador e sua família.

Segurança condominial: invasões ocorrem por erros humanos (porteiros e moradores)

Retomando a polêmica cláusula da portaria remota, o presidente do Sindifícios reforça que a medida visa proteger o trabalhador da demissão, mas não é só isso. “Também estamos preocupados em garantir a segurança e bem-estar de condôminos e moradores de edifícios e condomínios, visto a ineficiência do sistema, sem contar a falsa ilusão de economia”, sinaliza.

  • Portaria Remota: saiba quanto gera de economia para o seu condomínio

Na opinião de Décio, esses pontos não possuem embasamento. Especialistas em segurança condominial, como José Elias de Godoy, enfatizam que a maior causa de invasões em condomínios é o fator humano com porteiros ou condôminos desatentos que não seguem os protocolos, o que se comprova diariamente nas notícias.

Além disso, a segurança de um condomínio se constrói em conjunto com outras soluções, como treinamento dos funcionários, conscientização de moradores, projeto de segurança e equipamentos de segurança, ou seja, ela não se garante apenas com a instalação de uma tecnologia como a portaria remota.

  • Os 5 pontos mais vulneráveis na segurança do condomínio

Portaria remota: um caminho sem volta

Para Décio, justamente por conta da eficiência e custo-benefício, o avanço da portaria remota é um caminho sem volta, e os dados da pesquisa da Abese comprovam isso.

Atualmente, já são mais de 6 mil condomínios com portarias remotas pelo Brasil. Esse número corresponde a prédios novos (que desde a planta já contam com a tecnologia prevista) e também aqueles que implementaram a solução posteriormente.

No Censo SíndicoNet 2021, levantamento realizado com mais de 5 mil pessoas em todo o país, entre síndicos profissionais e moradores, administradoras de condomínios, subsíndicos, conselheiros etc, 12% dos gestores de condomínios ouvidos já utilizam portaria virtual ou remota e outros 36% disseram ainda não usar, mas consideram a ferramenta como uma opção futura.

Ainda segundo o Panorama de Mercado apresentado pela Abese, o setor de portaria remota cresceu 17,5% em 2022 e pode superar 18,7% em 2023. “O que chama atenção sobre este mercado é que, apesar de não estar restrito aos condomínios residenciais, a aplicação nestes locais corresponde a 82% dos negócios e 18% em condomínios comerciais”, comenta Selma.

O Presidente do Sindíficos também entende que a tecnologia veio para ficar, no entanto, defende que é possível adotá-la mantendo os empregos. “A cláusula da convenção vai de encontro a isso: não proibimos a portaria remota, mas a restringimos, em defesa da categoria dos funcionários de condomínios”, finaliza Paulo.

Jurisprudências sobre portaria remota e demissão de funcionários

Discussões nesse sentido já ocorreram, por exemplo, em outras cidades do Estado de São Paulo, como São Caetano e Ribeirão Preto – as quais possuem leis e normas específicas a respeito da portaria remota em condomínios.

Na cidade do interior, a Convenção Coletiva de Trabalho 2018/2019, firmada entre o Secerp (Sindicato dos Empregados em Condomínios e Edifícios de Ribeirão Preto) e o Sindicond, vedava a contratação de mão de obra terceirizada ou de cooperativas, bem como a substituição de empregados de portaria por centrais automatizadas.

Em março de 2023, o Tribunal Superior do Trabalho anulou tal cláusula em Ribeirão Preto por considerar que ela afronta os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência.

Já o caso do ABC tomou um rumo diferente. A Convenção Coletiva de Trabalho 2019/2020, acordada entre o SEEC-ABCD (Sindicato dos Empregados em Edifícios e Condomínios Residenciais e Comerciais de São Bernardo do Campo, Diadema, Santo André, São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) e novamente o Sindicond, também proibia a portaria remota, inclusive, com pena de multa no valor de 7 pisos salariais da categoria para cada empregado dispensado.

Em decisão de janeiro deste ano, a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a validade da cláusula, salientando que “o instrumento coletivo integra o princípio da busca do pleno emprego à proteção da ordem econômica”.

  • Decisão de maio de 2024: Condomínio em SP é multado em sete pisos salariais após demitir porteiro para contratar portaria virtual

O que acontece a partir de agora?

A Convenção Coletiva de Trabalho é um documento legal homologado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Isso quer dizer que o instrumento passou pelo crivo de juízes, os quais entenderam a cláusula referente à portaria remota como razoável, portanto, os condomínios estão sujeitos a ela. No entanto, podem contestá-la.

O advogado Rodrigo Karpat orienta que em caso de autuação após homologação dos funcionários demitidos, o condomínio deverá contestar judicialmente por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) e, claro, com o devido apoio de um advogado.

“Teremos a abertura de muitos processos judiciais e a solução dessa história vai depender da resposta da justiça nos casos práticos e de alguma ação coletiva preventiva encabeçada por entidades de classe, como AABIC, Secovi, Abraasp, Abrascond, etc.”, explica Rodrigo.

“Assim, o condomínio corre o risco de passar diante de um juiz que entenda que o funcionário foi vítima de um processo abrupto“, alerta e complementa Décio Tenório, do Grupo Souza Lima.

Sob a perspectiva do mercado de segurança eletrônica, Selma acredita que uma cláusula dessa natureza pode sim gerar alguns contratempos, especialmente em relação às pessoas que não estejam por dentro dessa discussão que se iniciou há uns cinco anos.

“De lá para cá, a Abese promoveu diversas ações para subsidiar as empresas do mercado e conscientizar os condomínios sobre a defesas dos próprios direitos, o que surtiu importantes efeitos”, reitera Selma.

Fato é que alguns síndicos podem ficar temerosos em implantar a portaria remota a partir de agora, principalmente em relação à questão financeira frente ao pagamento de indenização adicional para cada funcionário demitido.

A obrigação de manter 2 funcionários orgânicos no quadro geral (seja zelador e porteiro; zelador e um auxiliar de serviços gerais ou gerente predial e zelador, etc.), é mais palpável, afinal, dificilmente um condomínio fica sem nenhum colaborador.

Em contrapartida, a obrigação de pagar 10 salários da categoria por cada empregado demitido, em alguns casos, pode inviabilizar completamente o projeto de troca da portaria convencional pela remota. Isso sem contar que a instalação do sistema já é dispendiosa por si só.

Exemplo:

Condomínio com 3 porteiros dispensados

Salário da categoria: R$ 1.874,44 x 10 = R$ 18. 744,4

x 3 funcionários

Total acrescido às verbas rescisórias: R$ 56.233,20

Assista abaixo ao webinar “5 obstáculos para implantar portaria remota no condomínio”:

Confira os valores de salários e benefícios reajustados pela CCT:

Com aumento firmado em 4,7% sobre os valores da Convenção Coletiva do ano anterior, os pisos salariais passam a ser:

  • Gerente Condominial – R$ 3.860,65
  • Gerente Predial – R$ 2.739,52
  • Zeladores – R$ 1.956,79
  • Porteiros ou Vigias, Recepcionistas, Controladores de Acesso, Garagistas, Manobristas e Folguistas – R$ 1.874,44
  • Cabineiros ou Ascensoristas – R$ 1.874,44
  • Faxineiros e demais empregados – R$ 1.792,11

As cláusulas de alimentação, por sua vez, tiveram um reajuste de 15%. Assim, o novo Auxílio Alimentação será de R$ 456,26 e o Vale Refeição R$ 14,79 (pago por dia de trabalho, inclusive aos empregados afastados por razões legais).

Reinvindicação antiga de funcionários de condomínios, o Vale Transporte agora poderá ser substituído por Vale Combustível.

Por fim, o Benefício Assistencial de Prevenção à Saúde – que garante 12 consultas anuais de forma gratuita em clínicos gerais e ginecologistas – foi estendido aos cônjuges de trabalhadores contratados pelos empreendimentos residenciais e comerciais da capital paulista.

FONTE: Sindiconet